08/05/2012

Vamos falar sobre trabalho

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Imagem DAQUI.

Trabalho é essencial. Pelo menos para nós, classe média (baixa?) que precisa tirar o sustento de algum lugar, já que ainda não inventaram mudas de árvore de dinheiro. O trabalho nos mantém ocupados. Nos ensina muita coisa. Nos molda de diversas formas. Na maioria das vezes, somos nós que escolhemos nossos trabalho. Eu arriscaria dizer que sempre, mas vou evitar generalizar. O que acontece é que, ainda que não estejamos no trabalho dos sonhos, de alguma forma o escolhemos, no momento em que nos dispusemos a fazê-lo.

E acho, sinceramente, que todo trabalho deve ser muito bem feito. Afinal de contas (mal ou bem) somos pagos para executá-lo. Receber um salário baixo não é justificativa para fazer algo mal feito. Simplesmente essa desculpa não cola de jeito nenhum. Vejo muitos reclamando do trabalho, das (más) condições do mesmo, etc, etc. E acho que isso é válido. Já que estamos nesse barco, porque não melhorá-lo? Afinal de contas, somos nós que estamos nisso, nada mais justo que torná-lo o mais confortável/rentável possível. 

O que eu não acho justo, nem válido, muito menos razoável, é alguém fazer um trabalho meia-boca. Ou aceitar condições "x" e não cumpri-las. Se fui contratado para escrever páginas e mais páginas manualmente num livro imenso, e aceitei, devo escrever páginas e mais páginas manualmente. Se fui contratado para estar disponível, em home-office, das 8h às 18h, devo estar disponível nesse horário. Se fui contratado para trabalhar das 8h as 12h, e das 13:30 às 17:30, em um escritório, devo ir ao escritório todos os dias. Nesses casos, nem vale o termo "fazer bem-feito", porque isso é o mínimo que devo fazer para manter meu emprego. 

Não estou tratando aqui dos direitos à falta justificadas, e etc's porque essas coisas são direitos óbvios, nem há o que se discutir. Mas falo do cumprimento de uma obrigação a que me propus. Fazer um trabalho meia-boca, só quando o chefe está olhando, gastar tempo demais em coisas alheias a ele, fazer de qualquer jeito, são características de funcionários relapsos, que não conseguem manter um emprego fixo por muito tempo. Aqui não quero dizer que devemos ficar 100% do tempo em cima do trabalho, até porque isso chega a ser prejudicial, é preciso momentos de distração, movimentação, descanso, para que o trabalho renda de verdade. Eu, por exemplo, trabalho com o TweetDeck aberto. Mas não em primeiro plano, até porque ele distrai demais. De tempos em tempos dou uma espiada, comento algo (ou não) e volto pro trabalho. O tempo de mudar o foco para descansar a "mente" e voltar a ele. Também há aquele momento da espiadinha nos e-mails, na internet em geral, mas não é a regra. E sim, há dias que mal damos conta do trabalho, como da mesma forma há dias em que há muito pouco o que fazer. 

É preciso gerenciar adequadamente nosso tempo. E fazer bem feito aquilo que nos propomos. 

Porque esse post? Porque tenho visto muito disso ultimamente: pessoas que se dispõem a fazer um trabalho, e o fazem mal feito, de qualquer jeito, não cumprem seus deveres e depois ficam apavoradas com a possibilidade de perder o emprego. Ou mesmo chegam a perdê-lo de fato. Quando PRECISAMOS realmente de algo, não podemos nos dar ao luxo de fazer as coisas de qualquer jeito. E nem quando não precisamos. Trabalho bem feito, a meu ver, é obrigação.

Vou me citar como exemplo. tenho muitos, muitos defeitos, mas se há algo que sempre levei a sério, foi o trabalho. Nunca achei que ser professora fosse minha vocação. Pelo contrário, é algo que me cansa extremamente, e me esgota. Mas NUNCA dei uma aula mal dada. Nunca permiti que minha insatisfação prejudicasse meus alunos. E, mesmo não sendo minha vocação, sou boa no que faço. Não estou dizendo o que eu acho, mas o que as pessoas sempre me disseram. Sempre me comprometi com meus alunos, até fora de sala de aula. Nos últimos 2 anos e pouco, estou fora de sala de aula, atuando em uma coordenadoria de educação. Acumulo as funções de assessora do Patrimônio, responsável pelo protocolo, encaminhamento e despacho de todos os processos e pelo almoxarifado. No ano passado assumi a assessoria do Pronatec, mas agradeço por ter sido passado á assistência social, foi puxado demais, rs. É MUITO trabalho. Mas me sinto melhor do que em sala de aula, pois dando aulas, sempre empregava muito tempo fora do horário de trabalho para o preparo das aulas, e agora tenho esse tempo livre para mim. É muito mais tranquilo, e isso me permite, inclusive, ter um segundo e um terceiro "empregos" (autônomos). O que eu quis dizer com todo esse parágrafo é que, mesmo não gostando muitas vezes do que fazia, sempre fiz bem feito, nunca permiti que gostar ou não influenciasse no meu humor com os alunos, e sempre me empenhei o máximo no processo todo. 

Conseguir um emprego, hoje em dia, não é mais tão difícil. Mas mantê-lo, e mantê-lo por muitos anos, é bem mais difícil. Ok, sou funcionária pública, e há todo um conceito sobre a classe. Mas ser funcionária pública, nomeada, nunca foi "muleta" para que fizesse algo mal feito. Mal ou bem, estou sendo paga pra fazer o meu trabalho, e aceitei realizá-lo sob essas condições, sejam boas, sejam más, sejam mais ou menos. Há sim, pessoas relapsas (conheço algumas, mas definitivamente, não são a regra), mas isso não pode ser usado para rotular toda uma categoria, como é feito. Voltando (divaguei, rs). Empenho, iniciativa e propor-se a fazer um pouco além do que nos é pedido são fatores essenciais para se conseguir e manter um emprego.

Mas tudo isso que eu falei, pode ser resumido em uma única palavra: HONESTIDADE. Ser honesto com o que nos propomos a fazer. Tudo o que é feito meia-boca, com preguiça, de qualquer jeito, ou diferente do combinado é sim desonestidade. E como querer que a vida me trate bem, se sou desonesto? Como esperar coisas boas, quando o que dou ao mundo é meia-boca? Então, antes de reclamar que seu chefe vive querendo lhe demitir, que as pessoas fazem complô contra você, que não consegue se manter em um emprego, pense no que você está fazendo para que isso seja assim. Você está fazendo o que deve ser feito? Está cumprindo com as "combinações" de seu contrato?

A maior virtude do ser humano é a de olhar para si mesmo e ver o que pode ser mudado. E isso só nos ajuda a evoluir. Se colocar na posição de vítima da vida não ajuda. E dizer que "ninguém ajuda", muito menos. Se as pessoas conhecem sua "fama" no trabalho, vão lhe contratar porquê? Ninguém tem obrigação de nos ajudar. Ninguém além de nós mesmos. E quando nos comprometemos a fazer nosso melhor, por mais simples que seja o trabalho, as portas para melhores oportunidades serão abertas, e você só tende a crescer.

Abra o olho.


Beijos.
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