26/08/2012

Senta aqui do meu lado... e me escuta um pouquinho.

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Imagem DAQUI.
Todos nós passamos por dias em que as coisas estão cinza. Faz um bom tempo que tenho passado por esses dias mais do que gostaria. Esses momentos nos tiram a vontade de viver, de agir, de mudar, melhorar. E onde eu mais me machuco? No excesso de peso.

Em dias como hoje, o caminho parece ser longo demais. Parece que jamais vou conseguir novamente. Brigo comigo mesma por ter me permitido chegar nesse ponto.

Muitas pessoas chegam até o blog, me enviam e-mails, baseadas em depoimentos que vêem em outros sites, sobre o meu emagrecimento. E cá estou eu, muito pior do que meu ponto de partida. A cada e-mail, em que preciso desfazer essa impressão, é como se uma ferida fosse aberta.

Não me aceito, e sinto como se ninguém me aceitasse. Sinto como se o mundo cobrasse de mim uma atitude, como se o mundo exigisse que eu emagreça. E como vou perdendo peso a passo de lesma (200g, 300g por semana), sinto como se eu não fosse digna do mundo. É essa a frase. Não me sinto boa o suficiente pra nada. Procuro evitar externar esse sentimento no dia a dia, para meu marido, as pessoas que me cercam, mas me sinto assim o tempo todo.

Como se eu fosse uma coisa horrenda, impossível de se olhar sem sentir nojo. Essa sou eu. E estou sozinha nessa luta comigo mesma. As pessoas podem me ajudar? Podem. Mas elas não sabem como, nem eu sei se adiantaria. É uma ferida muito profunda, muito dolorida e que nunca pára de sangrar. Algumas pessoas levam na boa o excesso de peso. Eu nunca levei tão mal como agora. Sempre quis ser mais magra, mas nunca me senti como me sinto agora. Ter sentido o "gostinho" da vitória, de me aceitar, me amar, de entrar numa loja e escolher o que vestir sem problemas, olhar na rua e ter olhares de admiração, não de acusação, e depois ficar pior ainda do que eu estava, é horrível. Evito ao máximo pensar nisso, por me doer demais, e porque eu não conseguiria passar os dias com tanta mágoa no meu peito.

É um desabafo pesado, muitos podem não gostar de ler, mas acho que é um dos mais sinceros que já escrevi. Não me sinto digna de carinho. Não me sinto digna de nada. 

Quando estava próxima ao casamento, encontrei uma força de vontade dentro de mim, que eu não conhecia. Fiz uma dieta radical e levei numa boa. Mas essa dieta radical foi um erro. Fica aqui meu aviso: não faça dietas radicais. Perdi MUITA massa muscular. E isso fez com que ficasse ainda mais difícil manter meu peso. Dietas malucas dão resultado, mas fazem isso. E agora perder peso é um inferno. É lento. Aliado ao fato de estar com meus 29 anos já, tudo fica ainda mais difícil. E não sei onde encontrar essa força de vontade.

Quero emagrecer, quero muito. Mas sou meu maior entrave. Sou meu maior problema. 

A maioria das pessoas pensa que é só parar de comer. É triste e quase nojento dizer isso, mas isso é muito, muito mais difícil do que parece. Ao contrário do que muitos pensam, eu não assalto a geladeira de madrugada. Não como um prato transbordando de comida. Não me entupo de massas. Não como doces o dia todo, nem frituras. Então, porque sou gorda? Porque cometo deslizes. Uma fatia de pão a mais, um doce que não deveria comer, uma bala, um bombom. E o organismo parece absorver cada caloria e estocar em forma de gordura.  

Sabem qual a visão que eu tenho do gordo? Aquela pessoa com roupa justa, cheia de pneus, a barriga caída, suada, com uma coxa de frango frito numa mão e um pedaço de bolo na outra, e a cara toda lambuzada. Perceberam o preconceito que há dentro de mim mesma? Me vejo assim. Mas eu não sou assim!!!! E ninguém é, essa é uma imagem que a mídia nos vendeu por anos e anos com filmes cheios de estereótipos. E que nós alimentamos dia após dia. Só para depois sofrer com isso.

"Ah, faz uma caminhada." Sim, preciso caminhar. E vencer a vergonha de ser vista. E vencer a dor terrível nos meus pés ao caminhar ligeiro.Terrível mesmo. E vencer a falta de ar de quem não faz uma atividade física decente há anos. Mas as dores realmente são a pior parte. Desde que passei do meu limite máximo de peso, meus pés têm doído absurdamente. É inexplicável o quanto doem. Depois de chegar do trabalho, de onde venho à pé quando posso, para pelo menos fazer uma caminhada, sento um pouco, vejo televisão, e depois, na hora de levantar, a dor é quase insuportável. Preciso parar, respirar, e ir devagarinho até a dor aliviar. TODOS OS DIAS é isso. 

Sim, tenho motivos suficientes para querer uma mudança radical JÁ. Pareço uma velha num corpo de 29 anos. Até quando vou aguentar isso? Até quando meu marido vai aguentar? Não sei. Mas há dias em que sinto que não tenho forças para lutar contra mim mesma. E nem há mais remédios no mercado para que eu fuja pra eles. Juro que, do jeito em que estou, eu toparia na boa tomar remédios pra emagrecer. Depois eu ia ver o que faria pra manter. 

Não adianta, quem não está na MINHA pele, não entende. Quem não está na NOSSA pele não entende. A visão que (eu acho) as pessoas têm do gordo é uma: uma pessoa fraca emocionalmente que passa comendo Kgs de alimentos gordurosos o dia todo. Mas a realidade nem é tão simples, nem tão óbvia. Na verdade, a maioria dos casos fogem a este estereótipo. O emocional conta muito mais que qualquer outro fator. Um emocional saudável dá forças para o corpo lutar. E não, meu emocional não está saudável.

Quem me conhece sabe há quanto tempo luto contra a depressão. Clinicamente falando, com remédios e tudo o mais. E na grande maioria do tempo eu consigo ao menos me manter estabilizada. Nem feliz demais, nem triste demais. Mas há os dias como hoje, em que me sinto sozinha no mundo, sem ter pra onde correr. E sinto que as poucas mãos que me estendem não são capazes de me fazer sair disso. 

E acho mais triste ainda dizer isso sendo uma pessoa religiosa como sou. Eu não deveria me sentir assim. E peço a Deus todos os dias por ajuda. Sei que Ele me ajuda, porque tenho certeza de que, sem ele, já teria desistido de tudo. Mas minha fé ainda é pequena, menor que um grão de mostarda. E sinto que só Ele é capaz de me ajudar.

Acho que isso passou de um post para um tratado. E infelizmente sei de pessoas que lerão isso com olhar de alegria e comemoração por me ver nesse estado. Poderia deixar recados, mas por hora prefiro focar em mim mesma e em ficar bem, e deixar pra lá quem tem capacidade de comemorar esse tipo de coisa.

Poderia falar mais, mas isso iria virar uma lamúria sem fim.

Beijos, perdão por esse texto, e torçam por mim, eu preciso mesmo.



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