26/07/2014

Move on...

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Bom, cá estou eu. Juntei meus cacos, embarquei na tristeza, e agora estou seguindo em frente. O retorno à ginecologista foi mais desanimador ainda. Ela me arrancou o restinho de esperança que eu tinha naquele dia. De posse da ecografia, ela me disse que eu, na verdade, nunca produzi óvulos. Meus níveis de estradiol, baixos, de LH e FSH altos demais. Que sofro de hipogonadismo hipergonadotrófico, ou seja: meus ovários e útero nunca foram capazes de "funcionar". Que eu já teria nascido na menopausa, e só retardei os sintomas pelo uso de anticoncepcionais. Que a ínfima chance de eu ser mãe seria através de uma fertilização in vitro, com óvulos de alguma doadora, porque não tenho os meus. E que provavelmente eu não conseguiria levar a gestação adiante por conta do meu útero ser menor que o padrão. Que não há chance alguma de eu ser mãe por meios naturais e possivelmente nem pelos demais meios. Tudo assim, com um semi sorriso no rosto, e levantando em seguida para me desejar um bom dia e me guiando para a porta de saída do consultório. Com uma receita de hormônios - que evitarão que eu tenha problemas ósseos e venha a envelhecer mais rápido do que deveria - para tomar sem pausa porque eu não corro o risco de engravidar mesmo. Nestas palavras.

Achei de uma falta de sensibilidade incrível. Obviamente, mal desci as escadas do prédio, desabei no choro. Meio engolido, pois estava na rua, e saí evitando as ruas principais no caminho para casa. O meu dia foi o pior possível, não consegui dormir, tive crise alérgica à noite, não dormi nada, acabei não indo trabalhar no dia seguinte e dormi o dia todo. Todo não, claro. Na parte acordada só pensei bobagens. Mas no outro dia fui trabalhar e toquei o barco.

Com os dias passando, a cabeça voltou a funcionar um pouco. Mas desisti por enquanto de pesquisar no Google. Os resultados são desanimadores. Sabe, eu aceito a menopausa precoce, é isso que os exames dizem. Está claro, é ponto pacífico. Mas não aceito o hipogonadismo. Primeiramente porque não há casos sequer semelhantes na minha família, nem materna, nem paterna. Segundo porque menstruei normalmente até meus 23 anos, portava estes hormônios todos, pois meu corpo cresceu e se desenvolveu normalmente - até antes das demais meninas da minha idade, e foi quando iniciei o uso de anticoncepcionais após ter um problema semelhante (mas no qual a ginecologista jamais cogitou a possibilidade de infertilidade ou menopausa precoce), ter feito reposição hormonal e voltado a menstruar como de costume. E terceiro: como ela soube isso tudo de posse de um hemograma e de uma ecografia apenas? Impossível (espero). 

Bom, o caso é que tem esse médico do qual falei, mas que só terá espaço na agenda no próximo ano. Mas pretendo ir em algum outro antes disso. Refazer exames, fazê-los em outro laboratório. Espero encontrar alguém que queira de verdade me ajudar a superar o diagnóstico, ou pelo menos tentar todo o possível. 

Confesso que já fui mais esperançosa, mas a vida tem me endurecido. No entanto, resta lá alguma fagulha. Que não vai me deixar desistir assim, na primeira. Não sem tantas perguntas sem resposta. 

Ainda dói, tanto, tanto! Mas eu sufoco essa dor e sigo em frente. Quando chego ao limite choro, desabo, meu marido me dá colo. E sigo em frente. E vai ser assim. Até a última chance se esgotar.

Agradeço de coração todo o carinho que vocês me deram. Seja por comentários aqui, seja via e-mail, fanpage. Me fez muito bem receber tanto carinho! Obrigada!


Beijos!

20/07/2014

Post nº 500

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Não consegui pensar em um título para este post. Então pensei no fato de o post ser o de nº 500 do blog e assim o defini. 

Há uns 2 dois posts atrás falei da minha saga com relação a exames, do medo da infertilidade, e de tudo isso que todos que lêem aqui já estão cientes. Na semana passada tive consulta com minha ginecologista e ela confirmou meus medos. Meus ovários não estão produzindo mais óvulos, e aos 31 anos entrei na menopausa. Ou seja: hoje, na situação atual, eu não posso ter filhos. 

Saí do consultório ainda em estado de choque. Caminhei um pouco, telefonei para o marido que já aguardava minha ligação, mas sequer consegui falar. Meu coração foi rebentado, estraçalhado por aquela notícia. Mal cheguei em casa, mal tive tempo de chorar, de gritar abafando no travesseiro toda minha tristeza e revolta com essa situação, e já precisei ir para o trabalho. Foi bom, pq apesar da cabeça toda virada, fui obrigada a focar em outras coisas. 

Desde então, não sei explicar como têm sido meus dias. Já me desesperei, já questionei Deus e Sua justiça, já me revoltei, já fiquei com muita raiva. Hoje estou encontrando um pouco de equilíbrio. Passei estes últimos dias mergulhada no desalento. Não sei descrever o buraco que se formou dentro de mim. Não sei explicar essa dor, que é a pior que senti até hoje. Já chorei tanto e ainda sinto ter tanto a chorar! 

Conversei com algumas meninas, li algumas coisas, me informei um pouco e pude perceber que,apesar da seriedade da situação, pode não ser definitivo. Há muitos casos semelhantes que culminaram em uma gravidez. A medicina está muito avançada e há muitos recursos. Mas essa sombra estará sobre mim até que o tempo passe e me dê respostas. Eu posso ser mais um caso de superação, ou mais uma entre tantas mulheres inférteis que não conseguem ter um filho. Não temos condições financeiras para uma inseminação in vitro, por exemplo, se chegar a ser essa s solução. A menos que minha vida mude muito, muito mesmo. 

Mas sabe, não busco consolo. Cada um sofre extremamente pela dor que é só sua. Não comparo dores. Há muita gente em situação muito pior que a minha. Mas hoje, minha dor é insuportável. E dói tanto, tanto, que tem horas que parece que vai rasgar meu peito. Falei com poucas pessoas. A maioria foi generosa. Mas houve quem fez pouco da minha dor, quem a menosprezou. Disso, eu não preciso. 

Fui trabalhar todos os dias, mesmo que em alguns eu não acreditasse ter condições. No final das contas isso me fez bem, foquei em outras coisas, e a cabeça aliviou. Não sei como consegui manter uma postura dentro da normalidade, mas o fato é que não consigo manter cara fechada e me obriguei a erguer a cabeça e agir dentro da maior naturalidade que me foi possível. 

Nesse período todo, meu esteio, meu apoio, meu colo, foi meu marido. Que homem! Ele, que acaba tão comprometido nessa história quanto eu (e só eu sei o quanto me senti culpada por ser a causadora disso!), me deu a força que eu não teria. Sem ele, com certeza eu teria afundado. Ele me ergue todos os dias, me entende, me dá forças, esperança e me diz que, se tudo der errado, tudo bem, ainda temos um ao outro. Não sei mesmo o que seria de mim sem ele nesse momento. Pq dessa vez eu caí fundo. Ainda estou me reerguendo.

Logicamente, não fiquei parada nesse período. Já estou em busca de segundas opiniões. Não sobre o fato de eu estar na menopausa - isso é fato, basta olhar os resultados dos exames - mas sobre a irreversibilidade disso. Já descobri que há um excelente profissional na minha cidade, que tratou uma colega minha e a fez mãe. O caso é bem diferente, mas onde há esperança, eu vou. Infelizmente, ele só tem consulta para o ano que vem e só abrirá agenda em dezembro. Até lá fico aqui, com meu disgnóstico. 

Este ano tem sido bem difícil por aqui. Não entendo o propósito de muita coisa que acontece, mas aceito como aprendizado. E espero que logo os ventos mudem, há momentos em que as forças faltam. 

Vejam, que ironia: uma das coisas que me impulsionou a enfim remediar a questão da obesidade foi - quem diria - o meu desejo de ser mãe. Confesso que há momentos em que não parece que isso é verdade. Parece um pesadelo horroroso do qual eu não consigo acordar.

Enfim, esse assunto ainda me dói demais e sei que doerá por muito e muito tempo. Mas precisava compartilhar com vocês!

Fiquem com meu beijo carinhoso, e obrigada pelo carinho de sempre!



07/07/2014

Layout novo

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Quando as pessoas estão chateadas, preocupadas, nervosas enfim, agem de maneiras diferentes. Alguns choram, outros não comem, outros passam mal, há quem roa unhas, quem tenha dor de barriga, coceira, fale incessantemente, eu comia. Agora, faço layout novo pro blog. Carinha de jornal. Meu favorito até agora. Fiz agora à noite.

Obrigada pelo carinho gente! Está sendo fundamental!


Beijo!

06/07/2014

Vida no pause

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Minha vida está no pause nos últimos dias. 

Fui ao ortopedista por conta da dor na coluna e já aproveitei para ver o que seriam os estalos nos meus joelhos.Tudo culpa do sobrepeso. Tanto a coluna quanto os joelhos.

O problema com a coluna é que o sobrepeso sobrecarregou a cartilagem de alguma vértebras, o que causou uma contratura muscular, e consequente inflamação, nos músculos, na cartilagem e isso acabou gerando pressão na medula - nada grave, mas muito, muito doloroso. A indicação foi de analgésicos e antiinflamatórios, como coadjuvantes do tratamento, que tem como principal base a fisioterapia. Estou aguardando o início da fisioterapia, pois meu plano de saúde - querido! #SQN - não cobre, e o melhor lugar que consegui tem fila de espera. Por hora, convivendo com dores diárias, à noite permaneço bastante tempo deitada, com bolsa de água quente nas costas para aliviar a dor. Evito analgésicos ao máximo, mas acabo precisando tomar, pois preciso trabalhar. Não consigo ficar muito tempo em pé, nem sentada, então passo o dia pra lá e pra cá e no final do dia, quando chego em casa e psso deitar, a musculatura das costas já esta contraída e muito dolorida, além da dor da coluna em si. Tá complicado.

Quando o médico viu a imagem do raio-x dos meus joelhos me perguntou se eu já tinha deslocado as rótulas dos joelhos, ao que respondi negativamente, pois nunca desloquei nada. Mas tenho as patelas altas, fora dos ângulos corretos, as chamadas "sub luxáveis", apesar de nunca as ter luxado / machucado. Ocasionadas pelo sobrepeso. Estou proibida de fazer exercícios de alto impacto até ver isso direito. Não preciso de medicação, mas de fisioterapia, que depende da mesma fila eterna. 

Mas o que está me deixando ruim, ruim mesmo, é o resultado dos meus últimos exames. Colesterol, triglicerídeos, glicemia, etc, tudo lindo, melhor do que jamais esteve. Mas já olhei os exames e os hormônios, mais uma vez, todos alterados. Meus níveis, de todos eles, são de mulheres na pós menopausa. Mas eu tenho apenas 31 anos. Ainda preciso fazer uma ecografia pélvica para ver como andam meus ovários para só então retorna à ginecologista, faço essa semana (essa demora para marcar exames pelo meu plano de saúde me deixa puta da cara! Pago uma grana nessa droga e sempre isso!), quem sabe ainda essa semana possa ver isso.

A questão é que tenho só 31 anos. Não há histórico semelhante na minha família. E já aconteceu isso quando eu tinha 23 anos. Precisei fazer reposição hormonal e depois usar anticoncepcional direto pra continuar menstruando e tal. Mas a questão é: isso pode ser meus hormônios desregulados, mas se for meu corpo mesmo querendo me pôr na menopausa, isso significa falência ovariana ou, grosso modo, infertilidade. Isso está sendo um fantasma na minha vida, martelando, me machucando, me desanimando. Eu me forço todos os dias a levantar a cabeça, seguir em frente, pôr um sorriso no rosto e viver a vida lá fora e aqui em casa. Mas isso está sim me abatendo.

Sim, eu sei que, caso eu venha de fato a não poder ter filhos, há outras opções, como a adoção. E sou super a favor da adoção. Mas eu sempre serei uma mulher pela metade se não puder passar pelo processo da gravidez. Sei que sempre vou me sentir assim. Não é pra ser racional, não é pra ser assim, mas é o que eu sinto, porque meu sonho sempre foi esse. Há anos sonho inclusive com meu parto, com a maternidade.

Enfim, nem vou me prolongar, não tenho condições de ser racional enquanto não tiver respostas definitivas. Por isso nem consegui postar nada nessa semana, não dá, não sai nada. Meu rendimento está complicadíssimo.

Quando isso se definir e só então conseguirei dar o play novamente.