20/07/2014

Post nº 500

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Não consegui pensar em um título para este post. Então pensei no fato de o post ser o de nº 500 do blog e assim o defini. 

Há uns 2 dois posts atrás falei da minha saga com relação a exames, do medo da infertilidade, e de tudo isso que todos que lêem aqui já estão cientes. Na semana passada tive consulta com minha ginecologista e ela confirmou meus medos. Meus ovários não estão produzindo mais óvulos, e aos 31 anos entrei na menopausa. Ou seja: hoje, na situação atual, eu não posso ter filhos. 

Saí do consultório ainda em estado de choque. Caminhei um pouco, telefonei para o marido que já aguardava minha ligação, mas sequer consegui falar. Meu coração foi rebentado, estraçalhado por aquela notícia. Mal cheguei em casa, mal tive tempo de chorar, de gritar abafando no travesseiro toda minha tristeza e revolta com essa situação, e já precisei ir para o trabalho. Foi bom, pq apesar da cabeça toda virada, fui obrigada a focar em outras coisas. 

Desde então, não sei explicar como têm sido meus dias. Já me desesperei, já questionei Deus e Sua justiça, já me revoltei, já fiquei com muita raiva. Hoje estou encontrando um pouco de equilíbrio. Passei estes últimos dias mergulhada no desalento. Não sei descrever o buraco que se formou dentro de mim. Não sei explicar essa dor, que é a pior que senti até hoje. Já chorei tanto e ainda sinto ter tanto a chorar! 

Conversei com algumas meninas, li algumas coisas, me informei um pouco e pude perceber que,apesar da seriedade da situação, pode não ser definitivo. Há muitos casos semelhantes que culminaram em uma gravidez. A medicina está muito avançada e há muitos recursos. Mas essa sombra estará sobre mim até que o tempo passe e me dê respostas. Eu posso ser mais um caso de superação, ou mais uma entre tantas mulheres inférteis que não conseguem ter um filho. Não temos condições financeiras para uma inseminação in vitro, por exemplo, se chegar a ser essa s solução. A menos que minha vida mude muito, muito mesmo. 

Mas sabe, não busco consolo. Cada um sofre extremamente pela dor que é só sua. Não comparo dores. Há muita gente em situação muito pior que a minha. Mas hoje, minha dor é insuportável. E dói tanto, tanto, que tem horas que parece que vai rasgar meu peito. Falei com poucas pessoas. A maioria foi generosa. Mas houve quem fez pouco da minha dor, quem a menosprezou. Disso, eu não preciso. 

Fui trabalhar todos os dias, mesmo que em alguns eu não acreditasse ter condições. No final das contas isso me fez bem, foquei em outras coisas, e a cabeça aliviou. Não sei como consegui manter uma postura dentro da normalidade, mas o fato é que não consigo manter cara fechada e me obriguei a erguer a cabeça e agir dentro da maior naturalidade que me foi possível. 

Nesse período todo, meu esteio, meu apoio, meu colo, foi meu marido. Que homem! Ele, que acaba tão comprometido nessa história quanto eu (e só eu sei o quanto me senti culpada por ser a causadora disso!), me deu a força que eu não teria. Sem ele, com certeza eu teria afundado. Ele me ergue todos os dias, me entende, me dá forças, esperança e me diz que, se tudo der errado, tudo bem, ainda temos um ao outro. Não sei mesmo o que seria de mim sem ele nesse momento. Pq dessa vez eu caí fundo. Ainda estou me reerguendo.

Logicamente, não fiquei parada nesse período. Já estou em busca de segundas opiniões. Não sobre o fato de eu estar na menopausa - isso é fato, basta olhar os resultados dos exames - mas sobre a irreversibilidade disso. Já descobri que há um excelente profissional na minha cidade, que tratou uma colega minha e a fez mãe. O caso é bem diferente, mas onde há esperança, eu vou. Infelizmente, ele só tem consulta para o ano que vem e só abrirá agenda em dezembro. Até lá fico aqui, com meu disgnóstico. 

Este ano tem sido bem difícil por aqui. Não entendo o propósito de muita coisa que acontece, mas aceito como aprendizado. E espero que logo os ventos mudem, há momentos em que as forças faltam. 

Vejam, que ironia: uma das coisas que me impulsionou a enfim remediar a questão da obesidade foi - quem diria - o meu desejo de ser mãe. Confesso que há momentos em que não parece que isso é verdade. Parece um pesadelo horroroso do qual eu não consigo acordar.

Enfim, esse assunto ainda me dói demais e sei que doerá por muito e muito tempo. Mas precisava compartilhar com vocês!

Fiquem com meu beijo carinhoso, e obrigada pelo carinho de sempre!



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