01/09/2014

Pare com a loucura da beleza! / Stop de beauty madness!

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A escritora britânica Robyn Rice iniciou recentemente uma campanha intitulada "Stop the beauty madness" que, em livre tradução, significa "Pare com a loucura da beleza". Todos os anos ela procura criar uma campanha, um projeto para uma mudança social. Neste ano ela achou que a beleza deveria ser seu "alvo". Ela justifica seu projeto com as seguintes palavras:

"Bastam os padrões impossíveis. Basta a imagem ideal. Além de tudo, basta o sentimento de não se sentir o bastante quando se trata de nossa beleza. Chegou o momento em que uma cultura inteira de mulheres já se cansou."

Dentro deste desafio, muitas pessoas, famosos, blogueiras, pessoas "comuns", passaram a desafiar-se a postar uma foto sem maquiagem, sem correções ou filtros de editores de imagem, e desafiar a outros. Com o passar dos dias a corrente meio se modificou e virou uma espécie de "corrente", onde quem não cumpre sua parte deve pagar uma prenda, digamos assim. Mas o princípio disso tudo vem dessa campanha. 

Para mim não é um grande problema postar foto sem maquiagem, já que é o que mais faço normalmente, rs. Mas para muitas pessoas, expôr-se assim, com suas imperfeições, mostrar-se ao mundo tal qual é, foi um verdadeiro desafio. E isso apenas prova o quanto esta campanha se faz necessária.

Vivemos por padrões. Principalmente os de beleza. Nada nos deixa mais felizes do que alguém dizer que estamos bonitas. E nada nos deixa piores do que alguém que diga o quanto estamos feias. O mundo gira em torno disso. Vide as campanhas de beleza e suas modelos perfeitas - com todas as imperfeições devidamente ocultadas por editores de imagem. O padrão não é a saúde. Ou é, desde que ela venha acompanhada de um corpo sarado. O Instagram está aí para provar isso, com centenas de perfis "fit". A moda da saúde trouxe muitos benefícios, mas ela veio atrelada à busca de um corpo perfeito. 

Vejam bem, não sou absolutamente contra ter um corpo perfeito - e por perfeito aqui entro com a perfeição que nos é exigida: magreza, abdômem definido, etc. Sou contra esta ser a única opção viável. Quando não se almeja um corpo perfeito, acabamos sendo taxados de preguiçosos e outras N coisas nas quais não me alongarei. Somos cobrados a ter refeições perfeitas, vestir manequim 38 (se conseguir vestir 36 você será a mais top!), X centímetros de cintura, X% de gordura corporal, usar whey protein, BCAA, fazer receitinhas FIT, e tudo o mais. Quem você é, o que você faz, isso tudo fica em segundo plano. 

Hoje mesmo estava assistindo a um vídeo da Lia, do blog Just Lia, em que ela mostrava meninas chamando ela de feia, abertamente, nos comentários de uma matéria sobre essa campanha, na qual ela aparecia com e sem maquiagem. A que ponto chegamos! As pessoas se acham no direito de taxar as demais de "bonito" e "feio" abertamente, dane-se se o alvo da crítica vai ler. Os limites do bom senso vêm sendo jogados escada abaixo dia após dia. Todos se acham no direito de atacar, ofender, abertamente, como se grosseria e ignorância fossem sinônimo de "sinceridade". Para mim, isso nada mais é que a aculturação, a falta de respeito e de educação mesmo, que apenas mudam de nome. É muito fácil esconder-se atrás de uma tela de computador e falar o que no cara a cara jamais diriam sob pena de uma bofetada. O cúmulo do desrespeito e da covardia. 

Meu blog é um naniquinho entre tantos blogs. Um filhotinho. No entanto, modero os comentários por, mesmo na minha insignificância, já ter sido muito atacada por minha aparência. Eu leio essas coisas, fico chateada, mas não quero expôr estes comentários. Tenho o direito a isso. 

A questão é que não temos o direito de ser o que quisermos. Ao menos não sem pagar um preço bastante alto. Eu não almejo vestir um manequim 38. Quero estar saudável, poder comprar roupas em lojas comuns sem estar limitada aos tamanhos disponíveis. Mas acima de tudo, quero o direito a escolher ser o que eu bem quiser. Acredito que todas queremos. Mas somos constantemente espremidas para um padrão que, para muitas de nós, é inatingível. Eu nunca vou ser magrinha, de abdômen trincado e peito pequeno. Mas preciso lutar todos os dias para me respeitar e não exigir de mim mesma isso. Porque, assim como todos, sou influenciada várias vezes por este contexto. 

Então hoje pare, pense, e veja o que é importante para VOCÊ. E pense também no que você julga importante no OUTRO. Respeito o outro. respeite-se. Mas, acima de tudo, permita a si mesmo e ao outro a escolha de ser o que quiser.


Beijão!
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