15/10/2014

Salve a professorinha!

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Hoje, 15 de outubro, Dia do Professor. Não lembro nada da pré escola. Sei que fiz, mas me dei conta que não restou resquício de memória dela. No entanto lembro algo de quando aprendi a ler. Quem em ensinou foi minha mãe, minha primeira "professora". Depois, na primeira série, tive duas professoras: a professora Nancy, em Londrina, e a professora Ivone, quando fui morar em Palmeira das Missões. Então veio a professora Vitória na segunda série, a professora Nair na terceira e a profe Dirce na quarta série. Com as profes Ivone, Vitória e Nair ainda tenho contato. Inclusive a profe Nair foi minha colega no curso de Pedagogia, não é legal? Então, a partir da quinta série, uma sucessão de diversos professores. Lembro-me de vários deles, mas não citarei nomes sob risco de esquecer alguns. 

Me tornar professora não foi propriamente uma escolha. Meus pais queriam que eu cursasse o "normal" (como costuma chamar-se os cursos de magistério a nível médio), e cursei. Então, assim que encerrei o estágio, prestei concurso público estadual e passei. Aos 20 anos, assumi meu cargo como professora de séries iniciais do estado do Rio Grande do Sul. De lá pra cá já são quase 12 anos de profissão. 

O começo foi bastante difícil. Nada nos prepara para a realidade da sala de aula. A prática é que faz o professor. E ela nem sempre é fácil. Iniciei na profissão com uma turminha de 1ª série. Alfabetização se tornou minha paixão! Mais tarde dei aulas para uma segunda série, mantendo a linha de alfabetizadora. Fui professora de oficinas de alfabetização também, e participei do Programa Acelera Brasil, da Fundação Ayrton Senna, que tem como meta corrigir a distorção idade/série entre alunos do Ensino Fundamental I. Então iniciei minha experiência como orientadora educacional. Hoje sou orientadora educacional do Ensino Fundamental II (5º a 9º ano), e professora de uma turminha de 4º ano. 

Ser professor é uma tarefá difícil.  Todos os anos nos deparamos com uma turminha nova e novos desafios. Dificuldades de aprendizagens, problemas familiares que atingem diretamente a sala de aula, a agressividade cada vez mais crescente, o desrespeito. Muitas vezes somos os primeiros a perceber problemas que precisam ser resolvidos pela família. Outras vezes servimos meio que de pai e mãe, ou psicólogo. Não é nosso papel. Mas é o que fazemos. Dar o colo quando algo não vai bem. Repreender e ensinar a educação que deveria vir de casa. Dar limites. Estimular o aprendizado. Buscar soluções para as dificuldades.

Mas ser professor também é chegar todos os dias e ver dezesseis olhinhos brilhantes aguardando na fila, dezesseis sorrisos lindos e dezesseis "Oi sôra". É receber cartinhas com "eu te amo", ganhar bala e chicle, e eventualmente algum presentinho. 

Sabe, algumas coisas são engraçadas. Eu nunca mencionei minha profissão para o motorista e cobrador do ônibus que pego todos os dias. E antes que me vissem com o uniforme da escola, eles já me davam "Bom dia profe". Devo ter cara de professora, rs. E gosto de receber o cumprimento deles assim. 

Não entrarei na questão salarial. Mas gostaria de ser mais valorizada sim. Minha profissão é de primeira necessidade, essencial, mas somos pagos e tratados como dispensáveis muitas vezes. Na televisão, pequenas notas de parabéns a nós e só. Nenhuma campanha consistente pela valorização de quem somos. Mas, hoje, prefiro pensar no quanto sou importante. No quanto me dedico ao meu trabalho, mesmo que não o veja como minha vocação. No quanto procuro ser melhor para ser um exemplo para aqueles pequenos que se espelham em mim. E, opa, o tio Google lembrou!



Hoje também quero parabenizar a todos os professores dedicados e que fazem jus ao título que recebem. Aos que passaram pela minha vida estudantil, aos que ainda farão parte da minha vida acadêmica, e aos meus colegas de trabalho, conhecidos e desconhecidos. Parabéns!

Beijão!
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