13/10/2014

Sobre vida, emagrecimento e o peso disso tudo

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Viver em uma gangorra de engorda e emagrece é muito mais complicado do que parece assim, à primeira vista. Das coisas que aprendi na vida, uma das que mais tenho certeza e se reforça a cada dia é que só entende a questão do ganho/perda de peso quem vive na pele.

Engordar é muito mais que comer um monte de porcaria, ter baixa auto estima, sofrer de ansiedade, depressão, etc e tal. Engordar é um fracasso à espreita dia após dia. Ganhar um quilo representa muito mais que sentir a calça apertar. É sentir a alma trincar. Quem vive nessa vida de "efeito ioiô" sabe que o assunto é muito mais complexo. É muito mais que simples calorias. E é muito mais que o que os outros são capazes de ver. 

Já li algumas reportagens de pessoas que engordaram propositalmente, para se sentir na pele do gordo. E elas podem dizer o que for, podem ter sentido a limitação física que nos atrapalha, a questão da saúde, mas jamais vai sentir o que é estar em um corpo que você não gosta, que te envergonha e não se sentir apto a conseguir mudar isso. 

E é muito fácil emagrecer, e esquecer toda aquela dor que se passou, achar que chegou a um porto seguro e, então, se ver retornando à estaca inicial de tudo. É como um castigo. Um castigo por não ter aprendido a lição. Um castigo por ter menosprezado, quem sabe, o esforço de outros em situação semelhante. Sei porque vivi isso na pele. 

E também só sabe o que é derrota quem um dia venceu, sentiu o sabor de se amar, se aceitar, e depois perdeu tudo por culpa sua, apenas sua. Também vivi isso. 

Seguidamente vêm à tona campanhas de auto aceitação. Do amar-se como se é. Do aceitar-se em sua própria pele. Do conformar-se e ser feliz apesar de. E que bom que elas existem, pois salvam os corações de muita, muita gente. Mas e aquela parcela que não é atingida por isso? E aquela parcela que mesmo evitando se pôr pra baixo, que mesmo se empenhando em ser feliz, ainda sim sente vergonha do seu corpo, deseja dia após dia jamais ter se permitido chegar onde chegou? Porque acho que todos devemos nos amar sim, independente do tipo de corpo que temos. Mas também temos o direito de querer um corpo bacana, de não desejar ficar onde estamos, de almejar ser "normal". 

Confesso que nunca desejei um corpo de panicat. Nem de modelo. Sempre quis algo mais "opulento", mais num estilo Marilyn Monroe, para exemplificar melhor. Acho este tipo de beleza sensacional. É isso que quero para mim. Às vezes parece algo inatingível. O caminho parece imenso, e de onde estou não vejo a linha de chegada. Mas sigo nele. Tem que ser assim.

Viver na pele do gordo é pesado. Muito mais que em quilos, ou centímetros. Carregamos nosso próprio peso entre ossos, músculos e tecido adiposo, e mais o peso de muitas algumas tristezas, o peso da opinião do outro (ainda sou muito presa a ela), o peso da sociedade e suas exigências, enfim, é muito mais peso do que parece. 

Mas cabe a nós tentar torná-lo o mais leve possível. Cobrando-nos pequenos passos ao invés da jornada completa. Colando a frase "um dia de cada vez" no meio da testa para ser vista a todo momento. E, mesmo sendo difícil, deixar que a opinião dos outros importe só a eles. 

Não sei se esse texto todo fez sentido pra vocês, mas ele foi nascendo da cabeça direto para a ponta dos dedos, e fez sentido para mim. Sei que penso e me repenso sempre. Às vezes chego a resultados bons comigo mesma, às vezes isso só reacende antigas dores. Mas faz parte do processo de crescimento o analisar-se para encontrar o rumo e seguir sempre em frente. Ainda que com passos dados para trás. Que sejam eles apenas o suficiente para dar impulso para a frente.

Uma boa semana a todos!

Beijos!
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