10/10/2014

Uma reflexão sobre a criança

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Buenas turma! No domingo teremos o Dia da Criança. Então hoje eu, como apaixonada por crianças, professora dos pequeninos e orientadora educacional, resolvi trazer a todos nós uma reflexão sobre a criança do século XXI. As crianças que temos hoje já não se parecem com o que nós fomos em muitos aspectos. E olha que tenho 31 anos ainda! Mas em 30 e alguns anos muita coisa mudou. E hoje vamos pensar a respeito disso. 

A frase que inicia o post é linda, poética e literariamente falando. No entanto ela não é mais realidade. Os corações continuam sendo partidos, no entanto isso acontece cada vez mais cedo. Como orientadora educacional vejo dia após dias crianças com depressão, e com problemas psicológicos cada vez mais sérios. Isso me entristece e, confesso, angustia também. Não lidamos apenas com crianças entristecidas pela vida. Lidamos com crianças machucadas a ponto de decidirem que é preciso punir alguém a qualquer custo. Crianças agressivas, cheias de raiva. Ou mesmo crianças apáticas e sem sonhos. O mundo as está destruindo e muitos pais não sabem como protegê-las. E ainda há os que causam estas feridas. 

O grande problema, a meu ver, é que os próprios adultos estão perdidos. Precisam de ajuda, não sabem onde buscá-la e passam suas aflições, suas tristezas, sua raiva aos pequenos. Vejam bem, não quero generalizar de modo algum, pois temos uma maioria de adultos centrados e cumpridores do seu papel junto aos pequenos. Mas a parcela desestruturada é grande demais para passar desapercebida. 

O que eu vejo, diariamente, nas escolas (não apenas na minha, mas em muitas outras com as quais tenho contato): 
  • Aquela criança que bate nos colegas porque apanha em casa;
  • O menino que diz palavrões terríveis, os mesmos que escuta diariamente de seus pais;
  • A menina que deixa de comer o lanche para não engordar e que cai no pranto ao ver que sua calça não lhe serve mais (sim, aquela em fase de crescimento!);
  • O menino toma um vidro de remédios porque não quer mais viver;
  • O adolescente que, quando questionado sobre o que quer da vida responde com um vago "não sei";
  • A menina que afronta a professora, não realiza as atividades porque quer algum tipo de atenção.
Isso só para contar uma parcela do que vejo dia a dia na escola, na sala de aula. Não vou entrar aqui no mérito da dificuldade que isto cria na sala de aula. Hoje vamos falar apenas do quanto isso é capaz de machucar uma criança.

Sou do tipo que não vê o problema em si, mas procura ver o que está por trás da situação. E o que eu vejo: abandono. Muitos pais dão a seus filhos os brinquedos da hora, as roupas da moda, mas não lhe dão o mai importante: seu amor, seu tempo. Isso cria um vazio enorme nas crianças, e cada um reage à sua maneira. Outros pais são extremamente amorosos, mas têm problemas e não conseguem deixar as crianças de fora. É a mãe depressiva que só dorme e deixa seus filhos abandonados. É o pai que tem problemas com álcool e, mesmo não sendo do tipo "bêbado violento" expõe seus filhos ao constrangimento de seus atos. E segue o baile. Vocês sabem que há mais, muito mais. 

A questão é: o que fazer? Há muitas coisas que fogem ao nosso controle. Há situações que dependem de outros, e apenas deles. Mas, no momento, vamos olhar apenas para os nossos pequenos, aqueles que estão sob nossa "jurisdição". Não sou mãe, e nem sei se um dia serei. Mas todos os dias, há mais de 10 anos, convivo com os filhos de outras pessoas, ajudando-os a serem melhores cidadãos. Além do que tive minha pontinha de colaboração na educação de minha irmã mais nova, que nasceu quando eu já tinha meus dezesseis anos e me proporcionou a experiência de ser "meio mãe". Então sou apta a tratar do assunto. 

Abaixo, dicas simples que podem ajudar na criação dos seus pequenos. Pequenas coisinhas que podem realmente fazer a diferença e que, às vezes, quem está de fora pode nos mostrar melhor.
  • Dê tempo de qualidade. Uma criança não precisa de um pai ou uma mãe no seu encalço em tempo integral. E muitos pais têm seus dias corridos. Mas dedique um tempo diariamente ao seu filho, deixe a louça para lavar depois, deixe os e-mails para mais tarde e dedique um tempo para ele, só para ele. 
  • Acompanhe a escola. Quando a criança sabe que seus pais olham seus cadernos diariamente, elas se sentem estimuladas a caprichar mais na escola, realizar todas as atividades, e fazer os temas. Isso faz com que o aluno dedique-se mais e, consequentemente, obtenha bons resultados. Participe dos eventos da escola sempre que possível e evite faltar a reunião de pais. As crianças sentem quando os pais não vão. 
  • Pense antes de falar e, se falar, cumpra. Jamais se esqueça que seu comportamento é regente do comportamento de seu filho. O que você faz hoje, provavelmente ele fará no futuro também, e as palavras que você diz podem transformar a vida do seu pequeno. Portanto, se você faz o tipo que se descontrola quando está irritado, evite ao máximo ter "a conversa" quando estiver alterado. Se for o caso, retome o assunto depois, com mais calma. E, se for imperativo tomar uma decisão, como dar um castigo por exemplo, não volte atrás. Por mais que doa. Você precisa ser o modelo de autoridade de seu filho, e ele precisa ter confiança em tudo o que você diz. 
  • Imponha limites. Permita que a criança saiba sempre o que você espera dela. E deixe claro até onde ela pode ir, quais seus deveres, seus direitos também. Também estabeleça normas e punições para o descumprimento destas. Sente com seu filho e crie um jogo de regras, conduzindo-o sempre à reflexão do que é melhor para todos. Por exemplo: se você não guardar os brinquedos depois de de brincar, no outro dia não poderá usá-los". Dê a ela a autonomia de acordo com a idade em que se encontra. E, quando seu filho ultrapassar algum limite, aplique as normas combinadas. Sempre!
  • Mantenha uma alimentação saudável. Isso não significa que seu filho não possa comer doces ou salgadinhos (mas seria bom, rs). Mas torne estas guloseimas algo esporádico, o mais possível. Os sabores intensos das guloseimas acostumam o paladar dos pequenos.  fazem com que as crianças rejeitem legumes e verduras, que têm sabores mais suaves. Alimentos cheios de conservantes também deixam as crianças mais agitadas, pois são estimulantes. Muitos casos em que os pais desconfiam de hiperatividade não passa de excesso de açúcares no organismo da criança. Os alimentos repletos de químicos também tendem a ser depressores do sistema nervoso central, colaborando para deixar algumas crianças mais apáticas ou desmotivadas. Por isso, cuidado com a alimentação!
  • Mantenha seu filho longe dos seus problemas. Há problemas que devem ser divididos com os pequenos. Mas há outros dos quais eles não precisam participar. Procure manter-se sempre
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