14/01/2015

Um vídeo contra a ditadura fitness

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Grande parte das pessoas que estão muito acima do peso não gostam de academias. E nem sempre o motivo é a preguiça. As academias, de modo geral, possuem a maioria de seus membros com corpos dentro dos "padrões" básicos estéticos. Não se vêem muitas beldades maravilhosas, mas se vê bastante gente "ok". E quando entra alguém muito acima do peso, que resolve mudar sua história e buscar na atividade física não apenas um instrumento de perda de peso, mas de saúde e prazer, os olhares acabam sendo de julgamento

Eu já vivenciei isso na pele, por isso não gosto de academias. Por diversos motivos, mas os olhares de "nojinho" é um dos maiores. As pessoas que te olham como se você fosse uma aberração, ou que, durante uma aula puxada ficam o tempo todo observando se você vai conseguir ou não. Sem contar os comentários baixinhos que algumas vezes acabamos escutando. Sim, isso ACONTECE. Já me aconteceu muito e olha que nas vezes que frequentei a academia eu estava acima do peso, mas não muito acima do peso. Imagina se eu aderisse a uma academia nesta altura da minha vida, de muito acima do peso. Não estou generalizando, pois sei que isso não acontece em todo lugar, e a maioria das pessoas não faz isso. Mas uma parte grande o suficiente para não poder ser desconsiderada faz sim. 

Lembro de uma vez, na minha primeira aula de jump, em que a instrutora ficava o tempo todo em cima de mim, perguntando se estava tudo bem, se eu ia dar conta, que eu não precisava exagerar, etc. A preocupação ok, mas o excesso de atenção fazia com que todos me olhassem, e se entreolhassem. Terminei toda a aula, e fui muito além do que eu achava que conseguiria, apenas para não dar o gostinho a ela de desistir. Eu gostava muito das aulas, apesar de tudo, pois fazia com algumas amigas queridas. Até um dia em que ela me viu usando a bombinha de asma (eu tenho asma, e em algumas aulas precisava fazer uso da bombinha para ir até o final, mas com o condicionamento físico isso estava acontecendo bem raramente), lá escondidinha num canto, e com toda delicadeza do mundo praticamente me expulsou da aula dela. Com palavras doces, meigas e preocupadas, ela me sugeriu outra atividade física, pois eu não estava preparada para aquele tipo de aula, ela não servia para mim. Ou eu para ela. Insisti por mais algumas aulas e parei de ir. 

Em outra situação, me matriculei por uns dias em uma academia, pois estava apenas a passeio na tal cidade e não queria perder o pique. A instrutora me perguntou se eu era iniciante, intermediário, avançado. Eu disse que, dado o tempo que eu frequentava academia (quase 01 ano), e os progressos com relação aos pesos que usava, achava que era intermediária. O que ela fez? Aumentou os meus pesos dia após dia "para ver até onde eu aguentava", até um dia em que foi demais pra mim - e eu já havia dito que não era necessário aumentar mais - tive uma queda de pressão horrorosa, quase desmaiei, vomitei no banheiro da academia e saí de lá pra nunca mais voltar. Não, não sou a que faz escândalo por nada, nem quando tenho direito. Só muito raramente e nessas situações em que me sentia quase humilhada, desafiada de uma maneira desonesta não, aí eu travava mesmo. 

O fato é que não precisamos de mais julgamentos e desafios que os nossos próprios. Eu tenho vergonha de correr, porque tenho os joelhos meio tortos, muito peito. Outras, por serem flácidas ou terem celulite. Alguns têm vergonha da barriguinha na academia ou por não terem coordenação perfeita nas aulas em grupo. Mas o vídeo abaixo veio para quebrar alguns paradigmas. Tanya Joseph, diretora executiva da campanha "This girl can" ("essa garota pode"), em entrevista ao jornal The Huffington Post, disse que em suas pesquisas o grande motivo porque as mulheres têm aderido cada vez menos à atividade física é o medo do julgamento

Porque somos bombardeadas por silhuetas esculpidas no Instagram em posições perfeitas, simétricas, estáveis. Muitas meninas vendem esse estilo de vida como algo simples, fácil e viável. Mas recentemente uma das top instagrammers de fitness informou que pararia com aquela vida de dieta espartana para "viver um pouco". Ela se cansou, porque é um ideal dificílimo de ser alcançado e não se conseguem - nem se mantém - corpos assim facilmente como se aparenta. Eles são possíveis, mas a maioria que atinge esse ideal consegue por viver apenas para isso.

Eu treino em casa, e agora vejo um prazer enorme nisso. Mas comecei isso por ter vergonha de frequentar uma academia. Porque eu suo pra caramba. Porque meu peito chacoalha. Minhas coxas se roçam. Fico vermelha como um pimentão. Como a maioria das mulheres.

Enfim, deixo com vocês o vídeo, para uma reflexão e para mostrar que, não importa quem você é ou quanto pesa, ou o tamanho do seu peito ou quanta celulite você tem: VOCÊ PODE. 

Abaixo, algumas imagens veiculadas pelo projeto:
"Chacoalho, logo existo."
"Quente, e não preocupada."
"Esta garota pode."
"Eu nado por que eu amo meu corpo. Não porque o odeio."
"Suando como um porco, me sentindo uma raposa."
"Eu sou lenta, mas estou lambendo todos que estão no sofá." (expressão que significa que está fazendo mais que os que estão no sofá)
"Suando como um porco."
"Certíssimo, eu pareço quente."

"O medo do julgamento está impedindo muitas de nós de tomar parte em exercícios. Mas, como milhares de mulheres como de cima a baixo do país estão provando, realmente não precisamos disso."

Para saber mais, visite o site oficial da campanha: http://www.thisgirlcan.co.uk/


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