20/05/2015

Quando a obesidade é uma doença

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Bom dia turma! Há alguns dias um amigo postou  no Facebook uma pequena frase sobre o problema da obesidade como ideologia e os malefícios do sobrepeso. Coisa curta, de 3 frases quando muito. Foi o suficiente para geral aquela polêmica, claro. 

Que polêmica no Facebook é mato, não há nem o que discutir. Com a facilidade de acesso à rede, todos passaram a emitir opiniões sobre tudo, e acabamos percebendo a fragilidade da interpretação textual nesse mundo. As pessoas lêem A, entendem B, e brigam por C. E COMO BRIGAM!

Recentemente passamos por uma "onda" fit, onde cada um pretendia ser mais saudável que o outro, e veio a demonização do glúten, da lactose, da gordura, do carboidrato. Não bastasse a pessoa ser saudável - até aí tudo bem! - ela precisava repreender severa e constantemente - com um tom de menosprezo - quem, não vivesse na academia à base de frango, ovos e batata doce. Na verdade essa onda não passou totalmente, mas no momento a maioria das pessoas passou a apenas compartilhar, e não julgar os demais e apontar dedos. Esse assunto acabou meio saturado, encheu o saco de muitas pessoas. 

Acontece que agora vem surgindo uma "onda" totalmente contrária, e tão perigosa quanto - ou mais! A apologia à obesidade. No post em questão inclusive percebi isso muito claramente. Eu entendi algumas colocações de certa forma. Doeu foi ler pessoas afirmarem que não pretendiam viver até os 65 anos mesmo. Atacarem a magreza. Fazerem comparações absurdas tentando colocar a obesidade como vantajosa. Ficou uma coisa muito: "Eu posso ter orgulho de ser gordo, mas você não pode ter orgulho de ter emagrecido."

Vejam bem, a obesidade mata mais de dois bilhões e meio de pessoas todos os anos, dados da OMS (Organização Mundial de Saúde). DOIS BILHÕES E MEIO. Quanto mais se pesquisa, mais se encontram doenças relacionadas ao excesso de peso. Só  no Brasil mais da metade da população está acima do peso. Ainda que desvinculada de doenças, no caso de gordinhos "saudáveis" (com colesterol, glicemia e afins ok), o sobrepeso por si só já é fator de risco. Porque a longo prazo o corpo não aguenta manter o ritmo. 

Usarei meu exemplo - ninguém melhor que a gente mesmo para exemplificar algo. Sempre fui gordinha. Mas nunca tive problema com colesterol, glicose ou triglicerídeos alterados, nem hipertensão, nada. Muito bem. O tempo passou e cobrou a conta. O organismo não aguenta trabalhar sob pressão por muito tempo, e o sobrepeso gera essa pressão sobre os órgãos todos. 

A questão aqui não é que você ou eu (que ainda sou obesa!) devemos nos sentir mal por nossa condição. Até porque sentir-se mal não ajuda a sair da situação, muito pelo contrário. É preciso também de campanhas para que todos sejamos aceitos, independentemente do número de nossos manequins. Mas quando se fala em saúde e qualidade de vida, é preciso sim conscientizar que não dá pra ficar no extremo de lá da balança e achar que vai ficar tudo bem. 

Emagrecer é tarefa árdua, muitas vezes demorada mesmo. Mas é um momento. Quem consegue manter o pique até o final pode, no futuro, ter uma alimentação mais balanceada, com direito a umas bobagenzinhas de vez em quando. Ninguém precisa viver de tofu e alface. Mas é preciso equilíbrio. 

Sabe, não sei vocês, mas eu sinto que muitas vezes pessoas que não conseguem embarcar nessa de emagrecer - e que precisam muito - criam uma espécie de resistência às que conseguem. É como se você passasse a ser o traidor da classe quando busca sair da condição e tem sucesso. E o resultado é que ficam sempre na defensiva, e causam a discussão que o post de que falei causou. Aí lêem entrelinhas que não existem, põem palavras na boca da pessoa e assim por diante. 

Eu, gorda ou não, preciso aprender a me amar. Mas preciso também me amar o suficiente para buscar viver mais, e viver mais em uma condição boa. Qualidade de vida, de verdade. Esse deve ser o alvo. Não um número no manequim. Mas saúde. E se o mundo está caótico, se tá ruim viver nele, pra quê piorar ainda mais, né?

Fica a reflexão.

Beijos!

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