07/09/2015

Vida de blogueira - ilusão ou realidade?

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Há alguns dias no portal M de Mulher, da editora Abril foi publicado um post (aqui) que, em um resumo rápido, falava da importância de não nos frustrarmos por não ter a vida repleta de glamour que as blogueiras têm. Que tudo bem não acordar com suco detox e não viajar a New York a cada 15 dias. 

Este post repercurtiu de várias formas, em vários lugares. E aí eu fiquei pensando cá com meus botões: que visão as pessoas têm de um blogueiro?

Primeiramente é preciso esclarecer um ponto bem importante: se você tem um blog, e o mantém em atividade (e aqui não entra em questão a frequência de postagens, que é algo muito pessoal), parabéns você é um blogueiro!  S I M P L E S  assim. Para ser um blogueiro você não precisa ter uma equipe de financeiro, uma para logística e publicidade, nem sequer parceiros. Para ser blogueiro você precisa simplesmente blogar. Não precisa nem ser conhecido. 

Às vezes tenho a nítida impressão que as pessoas apenas vêem como blogueiros pessoas que têm blogs muito bem monetizados, com publicidade excelente e que publicam vídeos de recebidos mensalmente - isso só para resumir. Por outro lado, há momentos em que percebo claramente que algumas pessoas se sentem realmente incomodadas com o fato de alguém ganhar a vida com isso. Eu posso estar bem enganada, mas senti um tonzinho nesse sentido no texto em questão. 

Parece que ser blogueiro é fácil, simples, demanda muito tempo livre. A real é que não. Se você tiver um blog, já é blogueiro e pronto. Mas se você deseja levar isso como profissão, precisa de muito empenho, e abrir mão de muitas coisas em prol disso.

Há alguns anos houve um grande "boom" de blogs. Com o advento dos blogs de moda e beleza, muitas meninas viram seus olhinhos brilharem por esse "glamour", e desejaram ter todos estes bônus para si mesmas: parcerias, viagens, presentinhos. Mas esqueceram que todo bônus traz grudadinho em si o ônus. Grosso modo: para colher os louros você precisa ralar. Muito. Durante muito tempo. E fazer as coisas certas também. Surgiram do nada inúmeros blogs com layouts caros personalizados, domínio próprio, já recheados de resenhas - e teve uma galera que acabou endividada de tanto gasto com produtos para resenhar! Recentemente essa moda entrou no YouTube também. Isso é ruim? DEPENDE.

É bom no sentido que as pessoas perceberam que havia espaço para todos e que não era um bicho de sete cabeças manter um espacinho seu para falar a respeito daquilo que se gosta. O desejo que você precisa ter para manter um blog é simplesmente o desejo de partilha. Contar a outros a respeito das coisas que você gosta e nas quais você realmente acredita. É isso que mantém ativos blogs como o meu, que já tem muuuitos anos, e antes dele eu já tive outros, totalizando mais de dez anos na blogosfera. Então foi muito legal os blogs serem descobertos como ferramentas de compartilhamento e interação. As empresas também passaram a ver nos blogs importantes ferramentas de interação e de engajamento - claro que isso trouxe outros problemas dos quais falarei em outro momento.

É ruim quando muitas pessoas entram nessa apenas pelo desejo de ter. E quando você quer apenas ter algo, você pode não estar disposto a enfrentar o caminho necessário - que geralmente é longo e lento - para ter isso. A grande maioria dos blogs criados apenas para angariar parcerias acaba não se sustentando, porque é preciso gostar de blogar para manter um blog em funcionamento com frequência e por tempo suficiente para começar a render frutos - quando rende! E a pior parte é que quando as pessoas têm este intuito e não conseguem atingir seu objetivo acabam frustradas, e não há sentimento pior que a frustração.

Vejam bem, se você quer ter um blog grande como o de alguma dessas meninas que estão na mídia, você precisa estar disposto a muitas coisas. A primeira é dedicar grande parte do seu tempo livre a isso até ter retorno suficiente para poder se dedicar exclusivamente. É claro que com o passar do tempo fica mais fácil redigir textos, mas ao mesmo tempo o conteúdo vai ficando menor e é aí que entra a criatividade: você precisa buscar novidades, e aí gasta mais tempo ainda. 

Quem tem um blog sabe que mantê-lo alimentado com uma boa frequência dá trabalho pra caramba. Porque não basta sentar na frente do computador e escrever. Você precisa pesquisar a respeito do assunto a que se propõe a escrever, precisa fazer boas fotos, ou buscar - muito - boas fotos em bancos de imagem, e quem sabe até gastar algum dinheiro comprando algumas. Um bom post leva entre 1 e 4 horas para ser finalizado. É até por isso que muitas blogueiras já consolidadas recorrem a outras pessoas para produtir conteúdo. E quanto mais você quer que seu blog cresça, mais tempo você precisa investir nele, mais pesquisa, alimentar com maior frequência. E o caminho é longo até que ele comece a ser visto. A maioria destas meninas só conseguiu dedicar-se unicamente a seus blogs depois de vários anos dividindo o tempo entre blog e trabalhos "normais". Ou seja: fizeram e fazem por merecer todo este retorno.

E aqui entra a questão que acho principal: porque não ter essa vida me frustraria? Quando temos mentes saudáveis, o sucesso alheio não causa inveja ou frustração. Se eu quero aquilo, preciso seguir passos semelhantes e me empenhar mais - e ainda sim preciso saber que isso não é uma fórmula exata, pode simplesmente não acontecer com você, pois depende também de química e talento pessoal. O tom do post em questão - e não fui só eu que achei isso, muita gente percebeu o mesmo tom - faz pensar que tudo o que há nestes blogs não passa de uma fábrica de ilusões para angariar seguidores maravilhados e ganhar a vida às custas desses pobres coitados que caem nas garras destas blogueiras maléficas. 

E aqui eu te pergunto: você posta no instagram foto sua com a barriga no tanque? Não. É claro que tendemos, todos nós, a compartilhar nossos melhores momentos. E isso não pode ser visto como algo frustrante, apenas porque não tenho/não posso/ não consigo algo igual. É claro que não podemos ser ingênuos, mas saber que sim, há publicidade por trás de algumas coisas, que há o tal merchandising envolvido em algumas ações, e é aí que entra a nossa consciência de pesar e ter coerência a respeito de toda essa informação. 

A grande verdade é que a maior parte da "glamourização" dessas meninas acontece porque há uma legião de outras meninas dispostas a passar o dia inteiro dando likes e mais likes em busca de um reply, de um oi, de um reconhecimento de suas "ídolas". Infelizmente há pessoas que não sabem apenas apreciar um bom trabalho - e valorizá-lo sim, porque é justo! - mas acabam tornando-se uma espécie de devotas destas criaturas. Mas então a culpa é delas? Isso as favorece, é lógico. Mas a coerência precisa vir de ambos os lados.

E como isso atinge a todos os demais blogs? Algo chato com relação a isso é que muitas vezes os blogs menores são vistos como apenas "não bons o suficiente", quando há muitos blogs fantásticos de pessoas que apenas não têm tempo de passar o dia no twitter, instagram, snapchat, facebook. Eu mesma conheço VÁRIOS. E as opiniões que postamos em nossos blogs acabam muitas vezes sendo vistas apenas como "publicidade velada". Quando você faz um publipost muitos passam a te ver como um vendido ou já desconfiam da sinceridade de sua opinião. Mas isso também é tema para outro post.

O X da questão aqui é que precisamos nós mesmos tornar nossas vidas mais interessantes - e isso passa por nos contentar com o que temos à nossa disposição também! - para que felicidade da vida alheia nos incomode menos. Se formos suficientemente felizes, a felicidade do outro apenas aumentará a nossa. E precisamos também sair dessa síndrome de vira-latas que faz com que o sucesso do outro me faça sentir menosprezado. Isso faz mal demais. Porque se eu me sentir mal com o suco detox da blogueira famosa, ela vai continuar lá tomando seus sucos detox e eu vou logo precisar de uma fluoxetina para dar conta de tanto desgosto.

É pra se pensar né? Então pensemos.

Beijocão!

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