02/10/2015

Deixa eu te contar o porquê de eu mudar

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Imagem: Freepik

Eu já contei minha história com o sobrepeso aqui algumas vezes. Mas como há sempre leitores novos, às vezes sinto a necessidade de compartilhar novamente, sob uma ótica nova, ou como um lembrete para eu mesma não desistir. 

Não vou dizer que tive a pior alimentação durante minha vida toda, porque é mentira. Cresci gostando e comendo frutas, legumes e verduras. Mas junto disso muita fritura, farinhas e açúcares. A família já tem uma tendência à obesidade, e eu segui no caminho dessa tendência por conta de meus maus hábitos alimentares. Cresci com uma compulsão que só recentemente assumi como minha. Comer demais, comer por tudo, comer até passar mal. 

Então eu vivia iniciando dietas, e engordando novamente. Algumas dietas funcionaram mais, outras menos, e o problema sempre era a compulsão, o comer demais, o não conseguir controlar a quantidade do que eu comia. Por isso para mim não funcionava o tradicional prato com 100g de frango grelhado, legumes e verduras, arroz integral e tal. 

Para o meu casamento eu mergulhei numa dieta doidona, perdi peso rápido, mas o rebote veio como um soco no estômago. Em pouco mais de 3 anos engordei quase 60kg. Passar por esse processo foi a pior coisa que já passei na minha vida até então. Eu me via engordando, as roupas apertando novamente, e seguia comendo caixas de chocolate, salgadinhos, fast food. Já disse um milhão de vezes: não é racional. Não faz sentido. Mas não é sem vergonhice ou safadeza. É doença. E dói admitir que se está doente dessa forma. Que não se tem controle. Que não conseguimos. 

Além de passar por momentos em que desejava ardentemente a morte - e cheguei a pedir a Deus isso algumas vezes - havia ainda a questão da saúde que deixava tudo ainda pior. Tenho asma, e ela piorou muito. Na verdade piorou antes de eu engordar e os corticoides começaram essa bagunça de ganhar peso que não consegui mais brecar. Lembro de tentar fazer caminhada, mas depois meus pés doerem tanto que eu mal conseguia caminhar o resto do dia. Tudo o que eu comia me fazia mal, pois já estava instaurado um refluxo gastroesofágico que me proporcionava azia constante. Vivia doente, se não por um motivo, por outro. 

E aí entrou algo muito ruim também: eu acabava sendo mal vista no trabalho por conta das faltas por doença. Haviam dias em que eu acordava tão doente que não conseguia levantar da cama. Era repreendida, e atestado médico algum tiraria a impressão que minhas faltas passavam. Isso só reforçava minha culpa, pois eu ficava em casa doente e ainda agoniada com a situação no trabalho, com o falatório (que acontecia toda vez) e tudo o mais. Era um inferno. Mas eu nunca fui o tipo de pessoa que fica se arrastando por aí: quando estava trabalhando vestia um sorriso no rosto. Acontece que isso passava a impressão de que eu não havia ficado doente. Porque eu sorria mesmo quando pedia a Deus para ser atropelada por um caminhão no caminho para o trabalho. 

Eu não tinha vontade de sair de casa, pois meu lar era o único lugar onde eu me sentia em paz e tinha amor. Não que as pessoas não me amassem. Pelo contrário, sempre encontrei a maioria que me queria bem - o problema era com pessoas pontuais, mas infelizmente fortes o suficiente para me deixar mal. Mas meu marido fez o que muitos não fariam: me deu amor enquanto eu me transformava, me deu colo quando eu achava que não conseguiria mais, me disse o quanto eu era linda quando eu não acreditava. Me manteve viva. 

Então chegou o dia em que eu dei um basta. Não sei quando, como ou porquê, mas um dia eu acordei com a coragem e determinação que tanto me faltaram. Tive medo, achei que não conseguiria. Mas permaneci firme e fui em frente. E já se foram quase 40kg desde então. 

Hoje estou num momento complicado, lutando com um corpo que me pôs na menopausa antes mesmo que eu tivesse a chance de ser mãe. Meus hormônios desregulados dificultam demais meu emagrecimento, mas eu sigo lutando. Eu sei que eu vou conseguir. Não estou parada também. Por mais de um ano eu prorroguei as consultas médicas com medo do veredicto. Mas decidi que não adiantaria me torturar mais. Fiz exames e foi constatada a falência ovariana, vulgo menopausa precoce. Confesso que está muito difícil. MUITO. Estou precisando reestruturar todos meus planos para o futuro. E não sei ainda o que fazer. Um dia falo mais sobre isso, estou digerindo ainda.

Eu só sei que aconteça o que acontecer eu não vou desistir. Agora eu sei que consigo. Que seja devagar. Mas que seja.

Beijão!


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