07/01/2016

A crônica da gorducha fazendo caminhada

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O início de um ano é algo magnífico, cheio de resoluções bem vindas, e de fôlego novo para fazer seja lá o que for que você ache legal fazer. Era também o momento ideal para começar a pôr em prática aquela resolução que tratava da atividade física que, logicamente, eu vinha empurrando com a barriga - cada vez maior. No final do ano passado o enroleichon me fez ficar meses coçando. Um pulmão que sofreu com o final do inverno, um joelho que doía (mas esse nunca prestou mesmo!) e isso tudo foi sendo prolongado pela boa e velha preguiça. 

Então decidi reiniciar o Focus T25. Quase morri. Meu joelho doeu demais. Aí enrolei mais dois dias. Foi então que a notícia de um site que monitorava a atividade física - aquela que eu deveria fazer pra deixar de ser safada - e de quebra ainda te "pagava" em pontos Multiplus se mostrou o estímulo que faltava (tem post sobre ele aqui). E então decide ir caminhar. Aguarda um horário em que o sol está menos quente, põe roupa preta dos pés à cabeça porque preto emagrece. Organiza a playlist do Spotify e sai do prédio ao som de "Crazy In Love" da Beyoncé.

Diva. Poderosa. Rainha da bateria. Cosplay de Pugliesi. Garota propaganda de whey protein. Sósia da Bella Falconi. 
Desci, ajustei rapidinho o aplicativo para monitorar o percurso - estou utilizando o RunKeeper. A meta são 30 minutos. Mas farei 60. CLARO. Começa a caminhada, tudo tranquilo e tem um ventinho suuuper gostoso, tudo colaborando para aquele que será o primeiro de muitos dias de caminhada. Tudo bem tranquilo. Fiz os primeiros 10 minutos num ritmo ótimo, até porque peguei a descida na metade do quartel. Foi então que a coisa começou a ficar levemente complicada.
Toda descida tem uma subida. Em algum lugar. E este percurso é formado por uma parte reta, uma descida e então uma subida. Um valezinho. De repente a brisa já não estava mais tão fresca. E começou a ficar muito quente. Meu rosto começou a ficar na minha habitual coloração pimentão fresco. E então a patifaria ficou feia. 
Enquanto eu tentava manter um bom ritmo, e controlar a respiração que já estava no nível ofegante, lutava para manter o abdômen contraído - até para não denunciar a baita pança - e coluna ereta e procurando não movimentar tanto os braços. Aí começou o desfile. Como em um desfile começaram a passar meninas lindas (e magras!!) caminhando por mim. E eu tentando disfarçar o braço de polenteira chacoalhando com manguinha enquanto as beldades desfilavam incólumes, sem mover um milímetro de nada. Ao final da subida respirar já era algo complicado, e então passou um casal por mim, conversando animadamente e... correndo. Quase o tiro de misericórdia. Eu praticamente pondo os bofes para fora e preciso presenciar uma cena destas. 
Acho que deveriam existir dois tipos de ruas: aquela para os gordinhos que não querem ser defrontados com a realidade de gente bonita e magra que (pelamordedeus!) não têm um motivo sequer para estar caminhando, e uma rua que deveria ser utilizada apenas por esta categoria de pessoas. Com o corpo dessa gente eu estaria deitada na beira de piscina tomando um bom suco e não ponto os bofes pra fora num calor dos infernos pelas ruas da cidade. E nesta frase entendemos o porque eles estão magros e eu não. 
Mais vermelha que nunca, chego ao final da propriedade do quartel (que sim, é imensa) com 19 minutos contados. A meta é 30. Mas eu quero 60. Desisto e volto. Caminho uma quadra a mais, o rosto latejando de calor, e então penso: ok, 20 + 20 = 40. 40 minutos está bom. E volto. Tá combinado amanhã fazer tudo de novo. 
Foto tratada para amenizar o impacto do vermelhão no rosto, rs... 

* este é um texto humorístico.
** significa que não pensei em tudo isso de verdade.
*** ou pensei.
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