04/05/2016

Modernidade, ignorância e o medo de comida de verdade

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Imagem: Pixabay / Jill111
Quem me conhece há bastante tempo sabe que eu AMO ler e aprender mais a respeito de nutrição. Apesar de ainda não ter alcançado o ideal de alimentação / corpo saudável que almejo (e ainda estou bem longe disso), tenho utilizado este conhecimento para ir melhorando o meu dia a dia, e do meu esposo. E pesquisando aqui, acolá, aprendendo com bons profissionais, utilizando as redes sociais como meio de aprendizado, tenho visto o quanto as pessoas têm nutrido conceitos errados sobre o que é alimentar-se bem. E é sobre isso que gostaria de "conversar" com vocês neste post.


Já publiquei aqui no blog um post sobre o Desafio Bicho e Planta, da nutricionista funcional Lara Nesteruk, que prioriza o consumo de comida de verdade, sem aditivos químicos, o mais naturais possível. E no desenrolar do desafio, foi absurda a quantidade de questionamentos sobre comer "comida de verdade". Se gestantes poderiam comer, se hipertensos, diabéticos, pessoas com problemas estomacais poderiam consumir "comida de verdade" sem problemas. 

Vejam bem: comida de verdade nada mais é que legumes, verduras, frutas, cereais (não refinados!!!) in natura, gordura boa (manteiga, azeite de oliva), carnes e ovos. Simples, fácil, claro. Desde quando este tipo de alimentação terá contra indicação? Simplesmente não tem. Este é um ponto onde vemos o quanto somos ignorantes ainda nesse sentido. Ignorantes no sentido de "ignorar", não saber, não no sentido de burros. Nos falta conhecimento, e isso acontece principalmente porque todos os dias recebemos informações erradas dos diversos meios de comunicação. E é muito fácil acreditar nestas informações, pois muitas vezes são profissionais de saúde que as passam. Há programas de televisão que passam diariamente orientações totalmente equivocadas do ponto de vista nutricional. E a grande maioria destes programas são patrocinados pela indústria alimentícia que quer nos vender a ideia de que precisamos comer a cada 3 horas (um dia falarei sobre isso, mas adianto: é mito), fazer lanchinhos repletos de biscoitos "light", bolachas, barrinhas de cereais, sucos enfim, coisas empacotadas. Que precisamos utilizar whey protein e suplementos mil para ter um corpo saudável. Tudo o que gera lucro, mas às vezes custa nossa saúde.

A "modernidade" nos trouxe muita coisa boa.  A tecnologia veio para resolver diversos problemas. No entanto, também é utilizada como meio de fabricar produtos, que precisam durar mais, ter sabor mais atraente, consistência e textura mais apetitosas, para vender mais. 

Acontece que a maioria das "coisas empacotadas" que somos estimulados a consumir têm tantos aditivos químicos, que o que menos tem ali é o alimento em si. Se você comprar uma batata frita por exemplo, teoricamente teríamos a combinação batata + sal + óleo. Mas a lista de ingredientes sempre tem pelo menos o dobro de itens, a maioria que nós mal conseguimos pronunciar o nome, saber então do que se trata, pior ainda, rs... São poucos os alimentos vendidos em embalagens que não têm uma lista imensa de aditivos químicos, conservantes, corantes, aromatizantes. 

Mas afinal de contas, qual o problema com os aditivos químicos? A questão é que são elementos estranhos ao nosso organismo, e sua ação sobre nosso corpo é totalmente imprevisível. Para dizer que um aditivo químico é seguro para a saúde, é preciso décadas de estudos com acompanhamento muito bem feito, por instituições verdadeiramente idôneas. Para vocês terem noção, há produtos como a sucralose, por exemplo, que inicialmente eram parte de uma pesquisa para a criação de INSETICIDAS. Misturaram os químicos com o intuito de matar insetos e, no meio do processo descobriram que, poxa, poderiam adoçar seu alimento também! É esse tipo de produto que muitas vezes chega à nossa mesa, e na verdade precisaríamos de muito tempo e estudo para entender cada um deles.

Então o que é seguro? Simples, comida de verdade. Vegetais. Carnes. Ovos. Sim, temos aí agrotóxicos, hormônios, mas podem ainda ser chamados de "dos males o menor". Se for possível consumir orgânicos, melhor. Se não, pelo menos ainda são uma opção mais desejável.

O que vemos é uma galera com "medo" de que comer somente vegetais, legumes, frutas, carne e ovos possa causar algum problema de saúde. Estes alimentos são o que há de melhor em termos nutricionais - ainda que saibamos que o melhor de hoje já não é mais aquilo tudo. 

A verdade é que deveríamos temer comida que é vendida nos pacotinhos e caixinhas, e não aquelas que saíram das hortas e afins, não é mesmo?

Beijão!
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