08/07/2016

A fome na alma, nenhuma comida acalma

| |

Leia o título do post. Leia o texto que está na imagem que ilustra este post. Com atenção. Leu? Hoje me deparei com estas duas frases na minha timeline do Instagram, através do perfil do nutricionista acima citado (@thomazbarcellosnutri). Este texto falou diretamente comigo, e sei que fala com muitas pessoas também. E esse tipo de reflexão é sempre bem vinda.

Hoje em dia eu já consigo diferenciar, por exemplo, a fome da vontade de comer. Já consigo fazer alguns jejuns, como apenas uma ou duas vezes por dia, e apenas quando a fome aparece. Ainda tenho dificuldades em perceber a saciedade, mas é um processo, leva tempo. No entanto, fazer isso não é tarefa fácil. É sim, cada dia mais fácil. Mas ainda exige muito autocontrole.

Autocontrole que me faltou e me levou aos 119kg. Que me faltou várias vezes depois disso. E que se repete em muitas pessoas. O fato de hoje eu ter um maior controle sobre isso, não significa que este controle seja fácil. Sou muito suscetível à melancolia, descambo para o lado da depressão com bastante facilidade. Preciso me monitorar constantemente para perceber os sinais e tentar parar o processo antes que se fuja do meu controle.

Ainda hoje, quando passo por um stress (nem precisa ser dos maiores), sinto uma vontade doida de comer. E não é salada que me vêm à cabeça, rs. Me vejo com aquele pensamento que tanto já me prejudicou, de que, por ter passado por algo ruim, eu "mereço" algo bom, e neste caso o algo de bom é um chocolate, um salgadinho. É aquele pensamento que temos de nos "mimar" com comida. De nos consolar no prato. 

Não bastasse isso, há muitos anos somos levados a acreditar que PRECISAMOS comer a cada 3 horas para manter o metabolismo acelerado. Caso você não saiba, isso é apenas um MITO. Já comentei em outros posts sobre isso. O organismo não precisa de alimentação constante. Um organismo normal vai sentir fome de verdade, vai pedir comida, no máximo 3 vezes por dia, e se for bastante exigido dele. O normal é umas 2 vezes mesmo. Este mito começou com não se sabe quem e foi sendo propagado por parecer fazer sentido. Mas não faz. No entanto, ele nos parece a "licença poética" para comer mais e mais. "Nossa, não estou com fome, mas preciso comer agora."

Quando somos atacados pela "vontade de um docinho", precisamos nos perguntar: o que estamos alimentando? Organicamente e bioquimicamente, o corpo não "precisa" de um docinho. Quando o corpo precisa de alimento, ele não distingue nutrientes, ele apenas quer combustível, venha de onde vier. Quem faz esta distinção somos nós. Se você come a todo momento, se sente "fome" a toda hora, você não está alimentando seu corpo, mas buscando preencher outros vazios. Que, diga-se de passagem, não serão preenchidos desta forma.

E o que eu escrevo aqui não serve apenas para quem está lendo. É uma reflexão que estou fazendo comigo mesma neste momento. A cada dia tem sido mais fácil, mas a tentação de me recompensar  com comida por algo bacana que fiz, ou por um problema que passei, ainda é latente.

Isso significa que não devo comer por prazer nunca mais? NÃO. Toda refeição deve ser um momento de prazer. Mas prazer não deve ser o único objetivo da refeição. Sim, dá para comer um docinho de vez em quando (de preferência algo não tão lotado de açúcar, pegue leve). Não adianta pirar por tudo, nem é saudável fazer isso. Mas o diálogo constante sobre o motivo de estarmos comendo é preciso. É aprendizado. E pode ser a solução para muita coisa.

Eu penso comigo que se eu não aprender a gerir meu stress, sofrimentos, tristezas, com outra coisa que não comida, todo meu empenho por uma alimentação e corpo saudáveis sempre acabará indo por água abaixo. Pois meu problema está muito mais na cabeça que no corpo. Precisamos usar nossa inteligência a nosso favor também. Não sofrer demais por algo, mas não banalizar também. Entender. Compreender, Refletir. Aceitar.

Um bom final de semana a todos!

Beijão!
Comentário(s)
Comentário(s)