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A nova experiência da terapia

15:49Denny Baptista


 

No post anterior eu falei sobre como me peguei em meio a uma crise depressiva, e a necessidade de uma licença saúde. O post de hoje é apenas um update.



Estou na terceira semana de licença saúde, que tirei após o diagnóstico de transtorno misto de ansiedade e depressão. Foram semanas difíceis, confesso. Eu não tenho vontade de fazer nada além de ficar na cama. Escrever esse post, para mim, faz parte do processo de cura, pois eu me expresso e me liberto muito pela escrita. 

Eu não tenho "me entregue", digamos assim. Mas nem de longe consigo fazer o que eu fazia normalmente. Meu sono está completamente desregulado - quem sabe por estar sem fazer nada que gaste energia, quem sabe por apreensão, quem sabe faz parte da doença, não sei. Ontem, por exemplo, dormi após as 3h. Acordei às 6h e pouco sem sono. Por volta das 8h decidi tomar um banho para tentar relaxar. Depois li um pouco, zapeei pela internet, joguei alguns joguinhos calmos e bestas e quando era quase 10h da manhã, caí no sono novamente, acordando por volta das 11h. Meu marido está na escola hoje. Próximo ao meio dia, levantei, abri as cortinas do quarto, coisa que confesso que faço meio a contragosto, mas sinto que me dá um pouco mais de energia. Hoje passei aspirador na casa, mas lavar a louça, não deu. Quem sabe mais tarde.

O resumo dos meus dias é isso: um cansaço surreal, incapacitante. Mas que não se desenvolve para um sono. Eu não durmo o dia todo. Mas eu não tenho energia para fazer quase nada. Leio um pouco, às vezes vejo algo no notebook, jogo algum jogo, assisto algum seriado ou programa, isso tudo apenas para ocupar minha cabeça, que ainda não é capaz de ficar em paz com os próprios pensamentos. É um desânimo surreal. Eu tento não me cobrar, mas me cobro, nunca aconteceu nada assim comigo. 

Também estou muito sensível. No sábado fomos dar uma volta de carro. Estamos em lockdown de final de semana, mas meu marido queria pegar um ar, nem que fosse dentro do carro. E num dado momento eu tive a impressão de que um carro vinha em nossa direção. Ele estava longe e sinalizando que iria dobrar, mas por um segundo confundi e tomei um susto. Bastou isso para uma crise de ansiedade que, para resumir bem, só passou com um Rivotril debaixo da língua. Uma besteira imensa. E uma consequência besta.

Ontem à noite, por volta da 1h da manhã tive outra crise de ansiedade, dessa vez mais leve, que resolvi com exercícios de respiração e com a cara metida no ar frio do ar condicionado. Não precisei da medicação, que eu quero evitar a todo custo.

Bom, mas o fato é que na semana passada eu percebi que eu não estou melhorando. Eu não estou tendo crises de ansiedade diárias, mas quando eu tinha as crises eu estava sobre a pressão terrível do trabalho. E agora estou em casa, em repouso absoluto. Quem sabe a notícia da decisão dos prefeitos da Grande Florianópolis terem cancelado as aulas presenciais, voltando ao modo remoto. Quem sabe a notícia de outra colega infectada. Que na hora em que eu fiquei sabendo não me causou nada, mas pode ter dado nisso. Mas são coisas leves que estão me causando isso. 

Eu não sou o estereótipo clássico da deprimida que chora o dia todo e não toma banho. Eu estou comendo menos, até perdi peso. Eu estou sim, mais séria, mas ainda sorrio com algumas bobagens durante o dia, brinco às vezes. O básico é um desânimo total frente à vida e uma falta de energia incapacitante. Só me senti assim quando tive dengue. E não estou doente. Quem sabe por estar contaminada com esse estereótipo da pessoa depressiva chorando descabelada e fedendo (com exageros meus, perdoem) eu não me percebi doente até ser tarde demais.

Por isso, na semana passada tomei a decisão - com anos de atraso - de começar a fazer terapia. Não, eu não poderia gastar essa grana, ela não está sobrando. Ainda mais tendo conseguido perícia só para dia 22 de abril pelo INSS, ou seja, sabe-se lá quando vou receber meu salário desse período. Mas se não fosse isso eu seguiria me dopando de remédios e não me curaria nunca. 

E eu quero a remissão. Eu quero viver sem essa sombra, que agora eu sei que me acompanha há anos. E também porque já estou indo para o final da minha licença e me sinto totalmente despreparada para sair do meu quarto. Da minha casa. Nas duas vezes que fui no supermercado foi bem difícil.

Eu estou fazendo "a minha parte", mas eu preciso entender realmente qual é a minha parte, se estou no caminho certo, descobrir as origens disso, como lidar com seja lá o que for que eu não estou sabendo lidar.

Enfim estendi minha mão e pedi ajuda.

Vai dar certo.

Beijos.

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