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Quando bate o cansaço

19:20Denny Baptista

 

Nascer do Sol na Praia Mole - Florianópolis/SC (arquivo pessoal)


Todos nós em determinado ponto da vida cansamos.  Do trabalho, da vida, das relações, do marasmo. Há uma infinidade de motivos para esse cansaço. Eu também cansei.

Mas veja bem, o meu cansaço não vem em um tom depressivo como já veio outras vezes. Mas sim, veio em um tom triste.

Eu estou vivendo uma das melhores fases da minha vida pessoal e profissional. Larguei um emprego que estava me matando, estou trabalhando com algo que eu amo fazer e com ótimos parceiros. Moro em uma cidade incrível e tenho um marido que eu amo.

De tudo na minha vida que faltava "resolver", a única coisa que segue um incômodo é meu peso. 

Com esse ano e meio de terapia, eu aprendi a não odiar o meu corpo, sabe? Eu não odeio mais ele. Não olho para ele com nojo - como já olhei muitas vezes quando pesava quase metade do que peso agora. Mas eu detesto com todas as minhas forças as limitações que ele me traz.

Quem não vive na pele a obesidade, nunca entenderá esse sentimento. Porque não "basta querer". Não é só "ter força de vontade". Resolver é muito complicado.

No meu caso são mais de 25 anos infeliz com meu corpo, e recorrendo à todas as dietas existentes no mundo. Eu usei Herbalife pela primeira vez antes da 8ª série. Eu não culpo as dietas, jamais. Mas eu as usava como forma de me punir por não parecer como o mundo gostaria que eu parecesse. Comer ainda é um ato de prazer x culpa. Então hoje eu sei que engrenar em uma dieta restritiva para mim seria apenas me punir mais uma vez.

É cansativo precisar comprar roupas pela internet porque as lojas plus size físicas são uma coleção ridícula de roupas feias. É cansativo não se vestir adequadamente porque nem sempre tenho disposição - e dinheiro - para fazer essa "caça" de roupas que fiquem realmente bem no meu corpo.

É cansativo ver vez ou outra olhares de julgamento quando como em lugares públicos - eu evito até olhar ao meu redor. Mais cansativo ainda é aturar meu próprio julgamento. É cansativo ter a competência muitas vezes julgada pela aparência.

É cansativo ver tantos lugares ao ar livre para ir e não poder colocar na minha lista porque preciso considerar que alguns têm trilhas das quais eu não dou conta. Há uns meses fiz uma trilha curta com amigos e passei mal no meio do caminho - a vergonha meu pai. Eles julgaram que eu ia dar conta, mas eu não dei. Então não consigo mais confiar no julgamento dos outros.

Não é só ir caminhar. Não falta incentivo, tapinhas nas costas, palavras de apoio. Eu me sinto constrangida quando uma pessoa me incentiva a fazer uma dieta ou a praticar atividade física. É algo meu, que não tem a ver com a pessoa, mas eu fico mortificada.

Eu estou até cogitando fazer bariátrica. E olha que eu tenho PÂNICO de pensar em cirurgia, não sei se vou dar conta da perda de cabelo que sempre vem - ou da cirurgia de pedra na vesícula que dizem ser clássica cerca de um ano após o procedimento. Tudo isso me desespera.

Mas eu às vezes me desespero de me sentir assim como estou me sentindo também. 

Eu tenho muitos medos. Medo de engordar ainda mais. Medo de nunca mais emagrecer. Medo de um dia meu marido cansar de mim e ir embora. Medo de fazer uma trilha de difícil acesso, não dar conta e precisar pedir socorro. Medo de fazer cirurgia. E muitos outros medos. Incontáveis e inomináveis.

Eu não estou deprimida, nem ansiosa.

Mas hoje eu estou como esse mar com bandeira vermelha: revolta dentro de mim mesma. Não cheguem perto, eu posso te levar pro fundo.

E hoje eu não quero uma solução. Eu só quero pôr pra fora.

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