14/01/2014

Mudando...

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Há cerca de um ano atrás, eu havia começado uma mudança. Com passinhos de formiga, pequenos mesmo. Sempre tive o mesmo obstáculo à minha frente. Desde adolescente luto com o mesmo inimigo. Algumas vezes eu o vencia. Então ele vinha e me derrubava. 

Lembro de sempre ser gordinha. Dos shorts que subiam no meio das coxas, que se roçavam. Da saga para comprar roupas que servissem. Dos seios que cresceram demais, muito cedo. Das piadas dos colegas. Dos apelidos. Baleia. Gorda. Bujão. Trambolho. E afins. Dos biscoitos recheados, salgadinhos, pasteis fritos, pães e pães e bolos, sanduíches, muitos doces. Do olhar das pessoas cada vez que eu comia algo. De me odiar em cada foto que era "revelada". De ser tratada - e me sentir - como se fosse menos que minhas amigas mais magras e bonitas. Se ser impopular pelo meu excesso de peso e usar do humor para ganhar um pouco de popularidade. De rir em excesso, de fazer piada, muitas coisas para me acharem "legal" e esquecerem do meu abdômem protuberante. 

Sempre tive uma relação péssima com a comida. De descontrole e abusos. De me ver triste e decidir que só 5 pães franceses resolveriam meu problema. Que nada. Há buracos que nem todas as panelas cheias de brigadeiro do mundo tapam. 

Sempre tive um ótimo nível de conhecimento sobre saúde. Mas aplicar, que é bom... nada. Nunca me acreditei bonita. Sempre houve quem dissesse isso, mas nunca acreditei. Sempre me senti menos que os outros, inferior. Sempre fui desconfiada. 

A primeira vez que emagreci pra valer, tinha já meus 20 anos. E não foi por regime algum, eu apenas me ocupei com tantas coisas bacanas que não sobrava tempo para comer. E então as pessoas começaram a me notar, arrumei umas paqueras, por um tempo me senti "normal".

Comecei a trabalhar e o stress, constante, começou a me trazer as crises de ansiedade com as quais luto há uma década. E em meio a essas crises, à sobrecarga de responsabilidades, o engorda - emagrece voltou a toda. Ora mais gorda, ora menos gorda. Ouvindo "avisos" para me cuidar. Recebendo "conselhos" para emagrecer. Elogios quando emagrecia. Mais conselhos quando engordava novamente.

Nesse meio tempo, creio ter feito todas as dietas que faziam algum nexo. Nunca me joguei em dietas malucas tipo dieta da lua, da água, da papinha de bebê. Mas já fiz a da sopa. Já tomei Herbalife. Centenas de suplementos. Dieta dos Pontos. A misturinha fluoxetina + diazepam + cáscara sagrada + femproporex. Emagreci com todos, mas como meus hábitos não mudavam, o peso logo voltava à casa dos 75, 78... 

Casei magrinha e em seguida comecei a ficar doente - cidade recordista em agentes alergênicos + asma + rinite = já viu né. Junto com isso me abandonei, me descuidei totalmente, e cheguei onde estou. Depois de receber convites de revistas super conhecidas para falar sobre meu emagrecimento para o casamento, ter que me suportar com quase o dobro do peso estava sendo algo tristíssimo. Cansei de evitar festas, lugares, pessoas. Cansei de me esconder. Estava usando roupas G4 JUSTAS. As calças tamanho 54 foram as maiores que provei e passei a usar leggings. A auto-estima no chão. 

Já estava cansada de andar me arrastando por aí, sempre indisposta, com refluxo, azia e dores estomacais constantes. Me arrastava pelas ruas, andando devagar e cheia de falta de ar. Dores insuportáveis nas pernas, nos pés e nas costas, todos os dias. Mal vestida, parecia uma velha. Vivia doente. Vivia triste. Cheguei a dizer ao meu marido - que não sei como conseguiu passar por isso me tratando tão bem - que não tinha mais vontade de viver, que viver ou morrer para mim não faria diferença alguma. Todos os dias acordava com uma imensa vontade de morrer, torcendo para que isso acontecesse de alguma forma. E lá no fundo do poço ninguém podia chegar. Só eu poderia me tirar de lá. 

Então, num dia qualquer, sem motivo aparente, decidi que chegava disso tudo. Ou eu desistia de vez da vida, ou me empenhava pra sair dessa. Porque demorei tanto tempo para ter uma atitude? Não sei. Quem sabe? A gente não tem como prever coisas assim. Não é algo que eu diga: "Opa! Vou mudar!", e mudo. Não é algo que tenha uma explicação minimamente coerente. Simplesmente acontece. Por isso acredito tanto em Deus. Porque sei que, por mim mesma, jamais teria saído daquele poço. JAMAIS. 

Enfim, comecei com pequenas mudanças. Perdi 9kg em 6 meses, devagarinho mesmo. Fui mudando minha alimentação - que ainda caminha para um rumo melhor - meus hábitos e enfim fui a um médico para um checkup. E depois desse checkup começou a dieta (não é a Dukan!), e então a atividade física. Uma coisa de cada vez. E estou aqui, em pleno processo de emagrecimento, com um longo caminho pela frente, mas confiante de que vou chegar lá no final dele. 

Mudar exige paciência. Você não começa a caminhar e perde 8kg na primeira semana. Você não aumenta o consumo de água e na semana seguinte consegue uma pele de bebê. É preciso paciência e perseverança, senão os resultados não vê. Mas eles são recompensadores e te mantém no foco.

Com a atividade física é assim. Eu não acordo com o pique todo, pelo contrário: acordo querendo pelo menos mais umas 3 horas de sono. Mas levanto e vou pra vida. Uma prima compartilhou uma frase no Facebook há uns dias, cuja autoria é dada ao Dr. Drauzio Varella. Se é dele não sei, a gente sabe que em  informação solta na internet não dá pra confiar. Mas a frase, por ai só, é ótima:

"É tão difícil abandonar a vida sedentária porque desperdiçar energia vai contra a natureza humana.  Quando você ouvir alguém dizendo que pula da cama louco de disposição para o exercício, pode ter certeza: é mentira.  Digo por experiência própria. Há 20 anos corro maratonas, provas de 42 quilômetros que me obrigam a levantar às cinco e meia para treinar. Ao contrário do que os treinadores preconizam, não faço alongamento antes, já saio correndo, única maneira de resistir ao ímpeto de voltar para a cama. O primeiro quilômetro é dominado por um pensamento recorrente: "Não há o que justifique um homem a passar pelo que estou passando". Vencido esse martírio inicial, a corrida se torna suportável. Boa mesmo, só fica quando acaba. Nessa hora, a circulação inundada de endorfinas traz uma sensação de paz celestial, um barato igual ao de drogas que nunca experimentei. Por isso, caro leitor, se você está à espera da chegada da disposição física para sair da vagabundagem em 2014, tire o cavalo da chuva: ela não virá. Praticar exercícios com regularidade exige disciplina militar, a mesma que você tem na hora de ir para o trabalho."

E, digo, repito e falo mais uma vez: É EXATAMENTE ASSIM. Quando me arrumo pra começar mais um treino do Focus T25, não posso dizer que estou com zero pique, pois não faço cedo como o autor da frase acima. Mas a preguiça é forte! O durante é sofrido gente! É cansativo, os músculos doem, forçam, às vezes escapam até uns palavrões, rs. Brigo com o Shaun T. via televisor, rs. Mas no final, meus amigos... A sensação é algo difícil de explicar. É bem como o cara ali em cima falou, uma sensação de paz, de dever cumprido, de orgulho, de alegria, de bem estar. E aí você sabe que no dia seguinte fará de novo, porque essa sensação é muito boa, e você quer mais. E era assim quando eu fazia musculação - que odeio. E assim também quando fazia jump - que eu curtia muito. 

É complicado e muita gente gostaria que eu dissesse o contrário, mas caminhada não me dá esse barato todo. Me sinto bem por ter feito, a saúde melhora. Mas esse barato todo, só quando pratico algo que me desafia mesmo. Caminhada não me desafia mais. Não desafia o meu corpo. 

Mas se te desafia, invista! E quando você sentir que não desafia mais, procure algo que o faça! Exceto em caso de doença, nada impede que a gente faça uma atividade física. Olha eu aqui, fazendo downloads de vídeos e treinando em casa. Não gastei um pila. Gastarei quando comprar uns halteres pra fase Betta. Mas sairá muito mais barato que uma academia. Ou seja, não dá pra arrumar uma desculpa pra isso né.

Pense, agora, no que falta pra você se desafiar mais. O que você quer pra sua vida? Qual o seu maior desejo AGORA? Pensou? 

Agora, me diga: e o que você VAI fazer pra tornar esse desejo realidade? O que vai fazer hoje, ou amanhã? Pare de deixar pra semana que vem. Quem garante que teremos a semana que vem?


Beijos!
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