07/09/2011

Independência ou morte? - por Marco Baptista

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Hoje, dia 7 de setembro, quero deixar aqui registrada minha admiração por um dos mais cultos e devotados administradores desse país: Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon ou, simplesmente, Dom Pedro I. Isso não há quem negue, afinal, que outro regente se desfaria de seu salário em prol da economia Nacional?

Voltemos ao dia 7 de setembro de 1822, aproximadamente às 17 horas. Lá no alto da colina aponta uma comitiva de 4 ou 5 pessoas, tendo à sua frente um belo jovem de 23 anos. Ele, robusto, seu rosto emoldurado por uma bela melena (cabelo) emaranhada, e uma barba que salienta seu queixo retraído. É ou não é a cara de um herói? Ainda mais com aquelas calças apertadas que no futuro seriam plagiadas por muitos super-heróis estrangeiros.

O jovem, todo enlameado, vem montado não em um simples cavalo, mas numa mula baia gateada. De repente, após falar algumas palavras com seus acompanhantes, seu interior explode em fúria! Ele parece não conseguir submeter-se a tamanha pressão, e então toma uma decisão: desce como um raio da sua montaria, fita ao longe o horizonte, corre o mais rápido que pode ao arbusto mais próximo para... se aliviar da terrível diarreia que o perseguia como quem houvesse bebido sozinho dois litros de Activia. 

Foi nesse clima de dor, gemidos e muita merda que a Independência foi proclamada. Nem parecido com o heroico quadro de Pedro Américo (que ilustra este post). Acredito que, se Pedro Américo o tivesse pintado tal como o ocorrido, a obra não seria tão agradável. Prefiro a visão romântica do artista.

Obs.: conforme o Pe. Balchior, que acompanhava Dom Pedro, não houve a expressão "Independência ou morte". Este brado só seria citado bem depois em um relato de Canto Melo. Que, diga-se de passagem, nem estava junto quando o tal brado foi "proclamado". Então, demos à história o benefício da dúvida.



     Marco Baptista
Artista plástico formado em Pintura 
pela Escola de Belas Artes da UFRJ,
 pesquisador de história da arte
e um  indivíduo muito curioso.


Obrigada ao meu querido esposo que fez este post. Achei interessante que ele dividisse conosco estas curiosidades, que ele sempre me conta e eu adoro! Portanto, fica um pouco do que escuto todos os dias, hahaha!
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