28/06/2016

Fome, vontade de comer ou hábito alimentar? Dicas para diferenciar uma coisa da outra

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Imagem: Freepik

O assunto de hoje é bem bacana e gera dúvidas na maioria das pessoas que está em busca de uma alimentação mais saudável ou em dieta: quando sei que estou com fome ou com vontade de comer? Eu confesso sempre ter tido muita dificuldade em diferenciar um do outro. Somado a isso, as recomendações de nutricionistas, revistas e mídia sobre o tal comer de 3 em 3 horas tornava tudo ainda mais estranho. Confesso que era trabalhoso o tal comer de 3 em 3 horas, e cada vez que o peso não baixava eu já pensava que não havia comido corretamente, logo meu metabolismo havia ficado lento e o peso então não cedia. Ah, quanta ingenuidade!

Bom, sendo orientados sempre a comer a cada 3 horas, é bem difícil diferenciar realmente a fome do simples desejo de comer algo, pois não experimentamos nada parecido com a sensação de fome. A grande verdade é que nos habituamos a comer em horários pré estabelecidos, e fazer pequenos lanches o dia todo. Então quando não fazemos isso em um primeiro momento nos sentimos incomodados, como que a fazer algo errado.

Então, é lógico que eu não sabia diferenciar a fome, do desejo de comer algo ou do hábito de comer em determinadas horas. Obviamente que a fome real, angustiante, aquela de quem necessita realmente de alimento para manter o  organismo em funcionamento, é algo que poucos de nós experimentarão ao longo da vida. Para que isso aconteça são necessários vários dias sem comer, e um grande risco de colapso do organismo. 

E então, se eu não sabia diferenciar, como sei agora? Bom, vamos por partes. Deixando claro que a fome de que trato aqui não é nem de perto aquela fome angustiante da falta de alimento necessário à vida, mas sim aquele indicador do organismo que é uma boa hora de colocar alguma energia para dentro. Segui dicas dadas por nutricionistas como a Lara Nesteruk, a Djulye Marquato, e o Dr. José Carlos Souto.


* Sentindo fome

Eu posso dar mil dicas e estratégias para se descobrir isso. Mas é preciso sentir para saber exatamente o que é fome. Eu "descobri" o que é fome com a prática do jejum, que iniciei há algumas semanas. Segui algumas dicas que citarei a seguir, e aos poucos (não é sempre imediato e automático) consegui diferenciar uma da outra. Então eu diria que para você entender melhor o que é fome e o que não é, você precisaria se permitir ficar algum tempo sem comer algumas vezes para saber por si próprio como é - e então saber com certeza.


Vontade de comer

A vontade de comer é bem específica. Você tem vontade de comer uma coisa X. Por exemplo, você parece ter "fome", mas só comeria se fosse um bife acebolado. Você quer comer um chocolate. A vontade de comer é bem específica, você tem vontade de comer alguma coisa, exatamente aquilo. Se não tiver exatamente aquilo à sua disposição, então você pode protelar para comer mais tarde. Se você sente isso, então você não tem fome, tem vontade de comer. 



* Comer por hábito

Esta é a "mania" mais fácil de identificar, e a mais difícil de abandonar. Crescemos com nossas mães nos enfiando comida goela abaixo, e dizendo que se não comêssemos nas horas pré estabelecidas morreríamos ou terminaríamos doentes. A intenção não era má, é isso que as últimas gerações aprenderam a fazer e apenas estavam repassando isso. Pular refeições era quase um sacrilégio! Então nos habituamos a comer pela manhã mesmo sem fome. A almoçar ao meio dia mesmo sem fome. A jantar à noite mesmo sem fome. E isso se tornou quase um reloginho na nossa cabeça: chegando nestes horários, sentimos a necessidade da alimentação. Mas isso é apenas um hábito, que pode ser desconstruído (principalmente quando o objetivo é o emagrecimento). Obviamente isso sempre vai depender de suas necessidades e objetivos. Algumas pessoas precisam comer a cada período menor de tempo para conseguir estes objetivos (ganho de massa magra, hipertrofia, etc). Mas a maioria das pessoas não precisa seguir este padrão alimentar. Por isso a importância de se alimentar apenas com fome. 


* Fome

A fome surge quando o organismo sente alguma baixa de energia. Em baixa de energia, ele pede por comida. Mas o organismo tem suas próprias reservas, e a "dança dos hormônios" faz com que em ele possa demorar mais ou menos para pedir comida. A fome é um processo regido por hormônios, não apenas por necessidade de alimentação. Quando comemos muitos carboidratos refinados, que causam picos glicêmicos e de insulina, o organismo sinaliza "fome" mais rapidamente, pois estes hormônios acabam se desregulando. Quando você tem uma alimentação com baixo teor de carboidratos e com consumo de gorduras boas, a saciedade permanece por MUITO tempo e a fome demora para aparecer. O que diferencia a fome das situações anteriores é a necessidade urgente de comer. É algo como uma necessidade fisiológica. E o principal: a fome não é seletiva. A nutricionista Lara Nesteruk (principalmente pelo snapchat) sempre enfatiza esta não seletividade da fome. Quando você está com fome, você comeria qualquer coisa. A nutricionista Djulye vai além, e diz que quando você tem fome mesmo, comeria até algo de que não gosta tanto, se esta fosse sua única opção viável. Ela pensa num alimento que ela normalmente não comeria por não gostar, e quando pensa estar com fome, se pergunta se comeria aquele alimento se fosse o único disponível. Quando a resposta é positiva, é fome! Eu achei a comparação muito boa! E, ao menos para mim, realmente funciona. Um exemplo foi um domingo, na casa dos meus sogros. Eu estava com fome. Tanta, que me servi de um pedaço de costela, que não como há muitos anos, por não gostar. E confesso que estava bem gostoso viu (pensa na fome, rs).



* Porque saber isso é importante?

Entender tais mecanismos é importante para melhorar nossa saúde. A sociedade como um todo se alimenta mal, escolhe mal o que come e come muito mais vezes que o necessário. O resultado é a crescente onda de doenças crônicas domo diabetes, hipertensão, esteatose hepática e outras. E também os números alarmantes da obesidade.

Não, colocar a obesidade como algo que merece atenção não é gordofobia. A obesidade é situação de risco por si só, pois mesmo que a pessoa esteja perfeitamente saudável, seu organismo permanece sobrecarregado o tempo inteiro e sim, as consequências chegam, mais cedo ou mais tarde. Aqui não estamos falando da estética, mas da questão biológica. Dizer que uma pessoa gorda é feia, ou menos que outras apenas por ser gorda é gordofobia sim. Alertar que ela precisa de um peso saudável para viver por mais tempo não (obviamente há jeitos e jeitos de se dizer tais coisas).

Por isso é importante entendermos os mecanismos de fome e saciedade. Comer apenas quando nosso organismo necessita, e apenas até que esteja satisfeito. Eu acho os mecanismos de saciedade mais difíceis de se entender, e ainda não os domino. Acredito inclusive que levarei tempo para dominar isso. Mas a fome já é mais fácil.

Não estou aqui dizendo que você não deve nunca mais comer coisas gostosas (apesar de eu achar uma alimentação natural muito saborosa) como doces, chocolates e afins. Mas as coma quando tiver fome de verdade, e até que esteja satisfeito. Não dá para usar a comida como consolo ou como uma forma de tornar a vida menos infeliz o tempo todo. Precisamos encontrar quem sabe um meio termo para todos nós vivermos mais e melhor.

Isso tudo é questão de escolha. O objetivo aqui é aprendermos um pouco mais, e buscarmos ter saúde acima de tudo, da estética inclusive. Mas cada um decide o rumo que deseja tomar e realmente cada um tem o direito a escolher fazer o que bem quiser.

O que importa é sermos sempre verdadeiros com nossas escolhas!

Beijo!
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