26/09/2014

Das cartas que eu nunca te escrevi #Rotaroots

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Oi. Olá. Tudo bem? Hey!

Bom, nem sei como começar esta carta. Muitas vezes eu cheguei a pegar o caderno e as canetas. Aí lembro de, na maioria destas vezes, pensar cá com meus botões: mas poxa, ela mora ali pertinho, logo vou vê-la, não precisa de carta. E assim o caderno e as canetas iam parar na cômoda e o assunto ficava esquecido por semanas, meses.

O que eu queria te dizer é que você sempre foi importante demais pra mim. E não, eu não percebi isso antes de ser tarde demais. Dizem que é assim com todo mundo, mas eu não sei, só sei de mim. 

Sei que seus olhos sempre foram os mais doces que já vi. E seu jeito maroto, ah, esse me deixava maluca às vezes. Você sabia como puxar a orelha da gente, deixar a gente P da vida, mas evitar os protestos com o seu risinho safado. Sim, você tinha um risinho safado. De gente marota, cujos anos não fizeram cócegas nesse jeito moleque. 

Também me lembro das balas de hortelã. Inclusive, comprarei algumas amanhã. Elas me lembram você. As balas de hortelã e o sabonete em caixinha, Senador, que tu sempre nos dava em aniversários, datas comemorativas, casamentos, dia de finados, rs... Isso é muito você. Se daqui a 30 anos eu me deparar com estas duas coisas, você me virá na memória, com toda a certeza desse mundo e de todos os outros que por acaso possam existir. 

Também lembro das vezes em que você começava a cantar na janela de casa. Bom, sua janela era praticamente na nossa janela. E você olhava o céu, agradecia a Deus e cantava. Você não era nenhuma cantora fenomenal, mas não lembro de ter me incomodado alguma vez com sua voz. 

Sei lá. Ainda é complicado assimilar as coisas. É tudo meio irreal. 

Mas de tudo, o que eu queria dizer é que te amo. E te amo, e te amo, e te amo. E cada "te amo" é teclado com tanta força que, se fosse possível, eu te diria novamente. Porque eu sempre soube que te amava. Mas nunca, jamais desconfiei que fosse tanto. 

E juro. Juro mesmo. Que me dói saber que essa carta nasce na minha cabeça e morre no meu coração. Eu queria ter demonstrado mais. Na verdade, eu queria ter entendido o quanto você era especial pra mim. Eu não sabia. Estranha e triste verdade.

Beijo vó. Até qualquer dia desses. 

Essa postagem faz parte de uma blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que tem como objetivo resgatar a época de ouro do mundo blogueiro, onde o Blog não passava de um diário virtual, lembra? Pois é, para conhecer o Rotaroots, entre no grupo do Facebook e se inscreva no Rotation.
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