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Netflix: O documentário "Minimalism" e o excesso de tudo

06:00Denny Baptista



Há algum tempo atrás assisti ao documentário Minimalism: a documentary about the important things (em tradução livre Minimalismo: um documentário sobre as coisas importantes), disponível na Netflix.



Ele me trouxe importantes reflexões que apenas agitaram coisas que já estão dentro de mim há muito tempo. É um documentário bem feito, que nos traz importantes questionamentos, mas o principal deles é: precisamos de tanto?

Já há algum tempo venho me questionando a respeito das coisas que tenho. Nas mudanças que fiz (foram cerca de 5 nos últimos 10 anos) sempre acabava meio confusa com a quantidade de objetos acumulados, pois bem diz uma frase que andei lendo na internet: você acha que não tem nada até precisar mudar de apartamento e encaixotar suas coisas. No começo isso não me incomodava. Porém já há uns bons 2 ou três anos estes excessos têm pesado mais sobre mim. 

O documentário mostra a "proposta" do minimalismo que nada mais é que aprender a viver mais com menos. Sim, viver MAIS com menos. Desfazer-se de tudo o que for excessivo para que você possa usar seu dinheiro em coisas realmente relevantes ou para que abra mão daquele emprego que te paga dois ou três dígitos, mas que te leva a um nível de stress desumano por um emprego que paga menos, mas te permite viver pleno. Ele foca na trajetória de dois rapazes, Joshua e Ryan, que largaram carreitas promissoras para ter uma vida mais simples e livre. o documentário em si é bastante raso no que diz respeito ao minimalismo em si, acho que poderia se aprofundar bastante no tema. Mas ele realmente mexe com o interior de quem tem uma certa predisposição a isso. 

O consumismo é algo que está por toda a parte. E ele vem de uma forma massiva através da televisão e redes sociais. É difícil não consumir. E isso impacta demais na vida cotidiana das famílias, pois grande parte das pessoas com dificuldades financeiras possuem este problema graças aos excessos de consumo. Como professora da rede estadual por muitos anos, visitei famílias que mal tinham o que comer, mas cujas casas estavam abarrotadas de objetos de todos os tipos. Vê-se nos grupos do Facebook pessoas implorando ajuda, pedindo alimentos, remédios, porém suas casas estão abarrotadas destes bens, e seus smartphones possuem sempre saldo para acesso à internet (não é minha intenção a pura e simples crítica aos pedidos de ajuda, apenas a constatação de onde está nosso foco). Vemos famílias aparentemente abastadas, afundadas em dívidas por conta do consumismo. Pais bancando festas de 15 anos mais caras que um casamento sem ter condições para fazê-lo. Nossa sociedade está infectada pelo vírus do excesso.

Já há algum tempo, como já disse, eu venho me abrindo a estes questionamentos. Sempre fui muito consumista e sim, faço parte do time que contraiu dívidas para bancar isso. Eu tapava buracos existenciais comprando coisas, muitas das quais não usadas - e ainda faço isso, mesmo que em muito menor grau do que já fiz. 

Quando viemos embora para Joinville, vendemos praticamente todos nossos móveis e viemos inicialmente para uma kitinete, que se tornou sufocante não apenas pelo tamanho como por estarmos abarrotados de... coisas. Aos poucos estou me desfazendo de muitos excessos. Antes me orgulhava da minha "coleção" de mais de 200 livros. Hoje já estou pensando em me desfazer da maioria deles e ficar apenas com o essencial (ainda não evoluí para o ponto de achar um e-reader algo que os substitua, rs). 

Quando vim embora fiz um limpa nas minhas roupas e doei muitas. Quando minha mãe veio nos visitar ficou chocada com a quantidade de roupas que fiquei (na hora ela imaginou que estávamos em sérias dificuldades financeiras, rs), porém eu ainda tinha muitas. Recentemente fiz mais um limpa e já sobrou muito menos - e ainda há várias que mal uso. Os calçados foram a parte mais fácil. Atualmente tenho apenas os básicos - mas ainda preciso me segurar nas liquidações. Às vezes paro pra pensar no tanto de louças, panelas, copos que tenho e vejo que não uso 1/5 do que possuo (se não menos ainda). Vamos acumulando coisas com a desculpa de "vai que um dia eu preciso?". 

Ultimamente tenho me sentido sufocada com tantas coisas. Já estou elaborando um plano para reduzir isso muito mais ainda - e minha mãe vai à loucura, com certeza! Mas cada vez que me desfaço de coisas me sinto mais leve. É uma carga muito grande para ser carregada e eu quero mais liberdade de ir e vir, de escolher onde ficar sem me preocupar com o que ficou para trás, sabe?

Por isso eu recomendo este documentário para quem quer dar uma repensada. Se você acha isso tudo besteira, nem perca seu tempo, dificilmente mudará sua visão sobre o assunto. Mas se você tem alguma inclinação vale a pena dar uma olhada! De verdade.

Uma espiada no trailer (ative as legendas):


O documentário está disponível na Netflix e pelo visto ainda ficará lá por um bom tempo - mas sabemos que o serviço é meio temperamental e some com as coisas com certa frequência, rs...

Caso alguém tenha alguma indicação de documentário bacana, deixe para mim nos comentários! Amo dicas!

Beijão!

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