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Sobre o livro "Extraordinário" ou como ser uma pessoa melhor em tempos difíceis

08:00Denny Baptista



Há algum tempo eu já conhecia o livro Extraordinário, da R.J. Palacio (Raquel Jaramillo Palacio). Conhecia de ouvir falar - sempre muito bem - mas nunca havia lido de fato. Sabia da "proposta" dele e tudo o mais, mas ainda não senti aquela grande vontade de comprá-lo. Porém, como professora, comecei a sentir a necessidade de se fazer algumas discussões em sala de aula sobre o amor ao próximo, a tolerância com o diferente, o acolhimento e todos estes assuntos que parecem fugir do currículo escolar, mas que são infinitamente mais necessários que ele. E foi querendo algo neste sentido que decidi dar uma chance ao livro.

Sim, eu sempre começo pelo livro. Gosto muito de filmes baseados em livros, mas sempre sinto que os filmes acabam deixando a desejar na adaptação para as telas (exceto no caso de "Bridget Jones's Baby", cujo filme ficou bem melhor que o livro, mas isso é assunto para outro momento), então se uma história me desperta a curiosidade vou primeiro ao livro para só então assistir ao filme. E foi assim que fiz. 

O livro é ótimo. Gostei principalmente do fato de ter uma linguagem simples, pois eu pretendia despertar a curiosidade sobre a história em meus alunos do 5º ano principalmente, então a linguagem precisaria ser fácil. Mas a história dele é fantástica! Após a leitura do livro, comprei o filme. E aqui sim é possível saber o quanto gostei dele, pois eu dificilmente compro DVD's de filmes, prefiro esperar que saiam na Netflix ou afins para só então assisti-lo. Mas nesse caso achei essencial. 


A história, resumidamente, fala de um menino com diversas deformidades congênitas que após muitas cirurgias plásticas no rosto acaba ainda sendo muito "feio" - apesar das cirurgias terem lhe conferido um rosto muito melhor do que tinha ao nascer. Em dado momento sua mãe sente a necessidade de que ele vá à escola e então começa a saga do pequeno Auggie Pullmann dentro do Ensino Fundamental repleto de preconceitos, bullying, mas também atos de carinho e amizade. 

Há muitas lições que podemos tirar desta história. Então decidi listar algumas:

1. Seja gentil. Esta é a mensagem principal do filme. Vivemos tempos difíceis, e a gentileza realmente é artigo cada vez mais raro. Muitas vezes no ímpeto do momento, na pressa de responder a algo que nos feriu os sentimentos ou o ego, respondemos à altura da ofensa, criando um ciclo sem fim de dores. 

2. Tenha tolerância com quem não pensa igual a você. Se há algo que toma conta de nosso país e ficará ainda mais evidente nos próximos meses (olá eleições!), é a divergência de pensamentos. Acontece que em nosso país foi criado um clima de repúdio recíproco, de intolerância, que afastou muitas pessoas uma das outras e vai afastar ainda mais. Como as redes sociais costumam, por conta do seu algoritmo, nos fechar em nichos que compartilham das mesmas ideias, temos a falsa ilusão de que nossas ideias são apoiadas e compartilhadas pela maioria, quando na verdade apenas deixamos de ter acesso a opinião do outro. E esta falsa sensação de "maioria" faz com que duvidemos da capacidade cognitiva de quem pensa diferente, explicitando cada vez mais discursos de intolerância. Precisamos de uma vez por todas entender que a nossa verdade é apenas a NOSSA verdade, e que o outro tem a dele, baseada nas vivências dele próprio e que isso muda toda uma percepção de mundo. Por isso precisamos aprender a divergir sim, mas a entender que não há uma verdade absoluta e que não somos donos dela. 

3. Quando se trata de fazer o bem, não se importe com a opinião negativa dos outros. Se pararmos para uma análise profunda veremos que já deixamos de fazer coisas realmente boas, ou de defender ideias e pessoas corretas por conta do medo da crítica alheia. Nos omitimos de ajudar, fazemos vistas grossas para coisas erradas por vergonha, quando na verdade deveríamos ter orgulho de lutar pelo bem, e principalmente ajudar os outros. Quando se trata de fazer o bem, dane-se o julgamento e a incapacidade de entendimento alheia. Precisamos ser melhores.

4. Peça perdão. Quantas vezes cometemos erros e deixamos de pedir perdão por saber que seríamos perdoados mesmo sem isso, ou porque acreditamos que não vai resolver a situação? Ser nobre e desculpar-se por nossos erros, após admiti-los precisa ser uma realidade em nossas vidas. Erramos todos os dias, precisamos aprender a pedir perdão também.

5. Perdoe. Essa é outra mensagem bem forte do filme. Perdoar quem nos machucou é um dos atos mais difíceis que há. Exige um desprendimento que nem sempre temos, ainda mais em situações mais graves. Porém perdoar tira um fardo de nossas costas. Veja bem, perdoar não significa voltar a se relacionar com quem nos fez o mal, mas significa deixar os fatos no passado e tocar a vida sem carregar o peso amargo do rancor. 

Bom, por R$14,00 promocionais, ampliei a coleção, rs...

Eu poderia fazer aqui uma lista imensa das coisas que podemos trazer conosco sobre este filme. Mas prefiro dizer que: leia. Assista. Compartilhe. Principalmente se você tem crianças na família. Toque-as. Sensibilize-as. Precisamos de uma sociedade mais justa e tolerante. E começaremos a construção dela pelos pequenos sempre.

Beijão!

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